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Uma universidade sem paredes

Ensino à distância se torna comum graças à criação de universidades vrtuais e às novas tecnologias

César Fraga

Cooperativismo de
aluguel

Falsas cooperativas
não podem ser
fechadas

Diplomas ainda não
têm valor legal

MEC apóia a idéia

Uma universidade sem paredes, sem salas de aula e até mesmo sem sede. Os alunos nunca se encontram, pelo menos não no mesmo espaço físico. De corpo presente mesmo, somente no dias de provas e, ainda assim, na instituição de ensino mais próxima de sua casa. O acesso ao conhecimento é feito pela internet, CD-ROMs, vídeos e material impresso enviado por via postal. Uma equipe de professores tutores auxilia pelo telefone, chats, teleconferências e correio eletrônico, no caso de dúvidas. E tudo isso em uma universidade virtual e pública.

Parece ficção mas não é. O projeto já está em estágio avançado e pode se tornar realidade em um futuro bem próximo, mas só se houver apoio do Ministério da Educação e Cultura e do Ministério da Ciência e Tecnologia. A iniciativa, ao contrário do que possa parecer, não é do governo, mas sim de professores de diversas universidades federais brasileiras. Eles já realizaram três encontros nacionais nos últimos quatro meses. Participaram representantes de todas as regiões, além de equipes do governo. Trata-se da Universidade Virtual Pública do Brasil - Unirede, um consórcio que pretende unir o maior número possível de universidades públicas brasileiras para oferecer ensino à distância e gratuito.

Pelo menos 51 instituições brasileiras já emitiram cartas de intenção manifestando-se interessadas em participar do consórcio. Com isso, os custos operacionais para a oferta dos cursos poderia ser reduzido graças à criação de núcleos de produção para o material didático, que seria único, assim como a formatação dos currículos feita de forma cooperada. "Será possível também oferecer mais vagas", diz Elisabeth Rondelli, uma das idealizadoras da Unirede. Segundo ela, até o final do semestre devem estar concluídos os estudos e definidos o suporte jurídico e as parcerias necessárias para o encaminhamento do projeto definitivo ao MEC e MCT. Serão oferecidos inicialmente cursos de graduação, pós graduação e extensão.

Elisabeth mostra-se otimista com a iniciativa baseando-se nas práticas realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, onde atua como coordenadora do Sítio de Educação à Distância. "Em 70 anos de existência, a UFRJ conseguiu atingir um quadro 35 mil alunos. Quando implantou o ensino à distância em caráter experimental, em apenas 4 anos, abriu mais 4 mil vagas", compara. Para ela, uma experiência nacional neste campo pode dar solução para boa parte dos problemas de falta de oferta de vagas na rede pública ."Não será preciso multiplicar os meios para atingir os mesmos fins", arremata a professora.

A forma de seleção dos alunos ainda não foi definida, embora já se saiba que existirá, o que não significa que será via vestibular. A idéia é que sejam realizados cursos preparatórios para todos os candidatos e, depois, uma seleção.

Segundo o estudo citado pelos idealizadores da Unirede, apenas 13% dos jovens na faixa de 20 a 25 anos estão matriculados em cursos superiores. A demanda reprimida no Brasil é de 87%. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a educação à distância já é uma prática comum no nível superior, 75% dos jovens nesta idade estão matriculados em alguma universidade. As experiências de educação à distância da Universidade Nacional da Espanha, Universidade de Monterey (México), Universidade de Stanford (EUA) e a Open University (Inglaterra) servem de referência à iniciativa brasileira.

Outro quesito importante para viabilização no Brasil é o suporte tecnológico e o know-how. é justamente aí que entra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Uma das representantes da Ufrgs nos Grupos de Trabalho da Unirede é a professora Liane Tarouco, coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Computação da Ufrgs. Liane está na missão brasileira que visitou Washington (Estados Unidos) no final de março para tratar da vinda da Internet 2 para o Brasil. Segundo Tarouco, trata-se de uma infovia expressa que será utilizada exclusivamente para pesquisa científica e educação à distância.

Independente da vinda da Internet 2, a equipe da Unirede fez um levantamento que constatou deficiências técnicas na rede brasileira. "Já convencemos o MCT a fazer um upgrade da rede, um investimento de mais de R$ 10 milhões de reais por ano para viabilizar o projeto", garante a professora.

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