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Fotos:
Arquivo Alice
Boca de Rua: made in Porto Alegre

Eu não me preocupava com nada, só comigo e
com os amigos que estavam na volta. Hoje tenho mais idade.
Estou trabalhando. Me sinto mais responsável e vejo
a vida de outra maneira. Além de vendedor e
repórter do jornal Boca de Rua, de POA, Carlos, trabalha
na Coleta Seletiva de Lixo para a Prefeitura Municipal.
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A Agência
Livre da Infância Cidadania e Educação - A.L.I.C.E,
foi formada em 1998 por um grupo de jornalistas profissionais.
Todos com experiência na grande imprensa e com interesse
por matérias na área de direitos humanos. Há
três anos reúnem-se semanalmente para discutir e
fazer análises críticas da mídia e de que
forma as informações estão sendo veiculadas.
Além disso dedicam-se à criação de
projetos vinculados à questão social, considerada
por eles um tema básico do jornalismo. A idéia
é dar voz a alguns segmentos da população
que historicamente não têm espaço para comunicação
na grande imprensa, a não ser nas páginas policiais
ou nas reportagens-denúncia, que geralmente não
dão continuidade aos temas, diz Clarinha Glock, jornalista.
Um destes projetos é o jornal Boca de Rua, iniciado no
ano passado, sem que o grupo tivesse conhecimento de trabalhos
semelhantes em outros locais.
Os jornalistas
promovem encontros de trabalho, aos sábados, com jovens
moradores de rua, em uma das praças de Porto Alegre para
viabilizarem, assim, a feitura do jornal. A grande diferença
das outras iniciativas espalhadas pelo mundo, é que todo
o conteúdo publicado no Boca, textos, entrevistas, reportagens,
opinião e até mesmo as fotografias são obra
dos moradores de rua. O jornal funciona como um canal de
comunicação entre eles e a sociedade, até
para reduzir o preconceito existente para com a população
da rua, acrescenta Clarinha. Na verdade estes meninos
que fazem parte do projeto, são jovens-adultos. Já
passaram da fase em que estariam protegidos pelo Estatuto da Criança
e do Adolescente. Estão na faixa dos 18 anos e não
existe nenhum programa público que atenda estas pessoas,
complementa Rosina Duarte, também jornalista. Eles não
têm documentos, casa e nem emprego. Também não
constam nas estatísticas do IBGE.
Foi este o
gancho para a manchete do primeiro exemplar do jornal que circulou
nas ruas da capital no início deste ano: Vozes de
uma gente invisível. Carlos, 23 anos, um participantes
do projeto diz: O jornal representa uma oportunidade para
mostrarmos a realidade da rua. Ninguém vê o nosso
lado da fome, da violência. É uma maneira de a gente
falar às pessoas o que está acontecendo aqui.Prá
mim não existia família, irmão.
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