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Governo empurra dívida do expurgo com a barriga
Da Redação
No último
dia 21 de março o presidente Fernando Henrique Cardoso
resolveu alardear na grande imprensa o que ele próprio
definiu como sendo o maior acordo do mundo. Falava
do acerto que fez com três das quatro centrais sindicais,
- a Força Sindical, a Confederação Geral
dos Trabalhadores e a Social Democracia Sindical - no que diz
ser a solução para a novela do pagamento das correções
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que não
foram pagas corretamente nos anos de 1989 e 1990.
Na época,
ápice da Era Collor, o Governo Federal revolucionou
a matemática no que resultou em um desfalque de R$ 40 bilhões
nas contas devidas aos trabalhadores em atividade no período.
Foi apenas no segundo mandato de Fernando Henrique que um grupo
de metalúrgicos teve ganho de causa no Supremo Tribunal
Federal, beneficiando por jurisprudência a todos os milhões
de demais trabalhadores que entraram ou ainda estão por
entrar com suas ações. Sem ter qualquer instância
jurídica a que recorrer, o Governo Federal resolveu empurrar
a dívida para o próximo mandato com uma medida administrativa.
A idéia é adiar o pagamento das primeiras ações
para junho de 2002, quatro meses antes das eleições
presidenciais e evitar uma enxurrada de processos que entupiriam
o judiciário. Com isso, o governo passaria uma imagem positiva
às vésperas do pleito como se a iniciativa de ressarcimento
dos valores tivesse sido da União, quando na verdade foi
dos próprios trabalhadores que pressionaram FHC com as
ações ganhas no STF.
O plano foi
fechar um acordo com uma parte dos interessados com vistas a emitir
uma medida provisória, que enquanto não for votada,
permaneceria com peso de Lei. A proposta apresentada por FHC às
centrais e sindicatos patronais prevê que o governo deve
destinar apenas R$ 6 bilhões para compor o pagamento da
dívida e o restante seria complementado com o aumento em
8% para 9% às empresas na composição da folha
de pagamento durante os próximos cinco anos, além
de aumentar de 40% para 50% a multa rescisória de contratos
para os próximos 12 anos. Ou seja, transferiu a conta devida
pelo governo para a sociedade.
A Central
Única dos Trabalhadores (CUT) rejeitou de cara. João
Felício, presidente da Central, resumiu o episódio
em uma frase: Assim os credores teriam que pagar um valor
quase igual aos devedores. A CUT se opôs a proposta
e preferiu ficar de fora, classificando o acordo como sendo uma
farsa. Com isso, abandonou as negociações com o
governo no âmbito do Ministério do Trabalho e exige
o pagamento integral dos expurgos nas contas dos trabalhadores.
A conclusão dos cutistas para embasar seu posicionamento
parte dos números. A União contribuiria com cerca
de R$ 6 bilhões (a menor parte) os trabalhadores com R$
5 bilhões (embutidos nos deságios de 10%, 12% e
15% no que deverá ser recebido) e o restante sai do bolso
dos empresários, isso se eles toparem.
Uma parte
do empresariado já se manifestou contra, a Associação
Comercial de São Paulo e a Fiesp.
CORREÇÃO
- A proposta apresentada pela CUT foi protocolada no Conselho
Curador do FGTS e defendeu sua aprovação em reunião
realizada no último dia 29. A proposta tem o objetivo de
garantir que todos os trabalhadores com direito à correção
do FGTS recebam até R$ 1.000,00 em 90 dias, utilizando
o patrimônio líquido do Fundo, calculado em R$ 8,7
bilhões. Sendo que os trabalhadores com direito a uma correção
de até R$ 1.000,00 receberiam integralmente neste prazo,
os que tiverem direito a um valor superior a R$ 1000,00 receberia
este valor em 90 dias e a diferença em um prazo a ser negociado.
A Central também orientou os sindicatos e demais entidades
da sua base a continuar promovendo ações na Justiça,
assegurando que os trabalhadores não tenham custos. As
entidades deverão, portanto, viabilizar ações
jurídicas gratuitas.
Mais de
2 mil professores ingressaram com ações
Atualmente,
o Sindicato do Professores do Ensino Privado do Rio Grande do
Sul (Sinpro/RS) tem três ações coletivas tramitando
na Justiça Federal, pedindo o pagamento integral dos expurgos
do FGTS. A iniciativa beneficia mais de dois mil professores que
já ingressaram com seus pedidos junto ao sindicato. Os
associados que ainda não ingressaram na justiça
solicitando a correção devida devem procurar o departamento
jurídico do Sinpro/RS. É importante que as
ações sejam coletivas para que não haja congestionamento
no tramite das mesmas no judiciário, lembra Paulo
Brod Nogueira, assessor jurídico do sindicato. Para fazer
o cálculo de quanto o trabalhador tem a receber, o Sinpro/RS
oferece um link dentro do seu site (www.sinpro-rs.org.br) para
um serviço oferecido pelo Dieese chamado Cálculo
do Expurgo.
DEMAGOGIA
- Cecília Buges, diretora do Sinpro/RS, que também
é filiado a CUT, entende que o Governo Federal está,
em uma atitude demagógica, estabelecendo um acordo no qual
todos pagam, menos o próprio devedor. O ônus
que deveria ser seu é repassado para a sociedade, inclusive
para os próprios credores, o que é absurdo. O presidente
tenta dividir a despesa com os trabalhadores e empresários,
além de jogar para depois das eleições o
pagamento aos trabalhadores. Para a sindicalista é
preciso continuar a pressão por meio do ajuizamento de
ações pois é a principal ferramenta para
se conseguir o ressarcimento destas perdas que são de única
responsabilidade do Governo Federal.
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