Indústria
de informação ou máquina de manipulação
Nunca
se mente tanto quanto como antes de uma eleição,
durante um governo e depois de uma pescaria. A piada é
atribuída ao estadista prussiano Otto von Bismark, o
principal artífice da unificação alemã,
em 1870. Não está distante da máxima proferida
por Emília, a boneca de pano que vira uma menina com
a língua afiada nos livros infantis de Monteiro Lobato:
A mentira é uma verdade tão bem contada
que todo o mundo acredita. A fronteira entre o verdadeiro
e o falso está cada vez mais tênue, como demonstra
o espetáculo em que se transformou a cobertura da campanha
eleitoral feita pela mídia impressa e eletrônica
do país.
Paulo César Teixeira
m
vez da divulgação de projetos e idéias
dos candidatos, o país assiste à pirotecnia de
personagens que surgem do nada e desaparecem instantaneamente.
São conduzidos ao centro do palco e depois esfolados
sob os holofotes. O caso da governadora do Maranhão Roseana
Sarney é gritante. Ela ganhou projeção
graças à imagem de bonita, simpática e
competente, propagada aos quatro ventos pelos mesmos veículos
que, agora, levantam a tampa da corrupção que
a cerca. Ufa! O país foi alertado a tempo do risco de
alçar ao poder um novo Collor e outro PC Farias
Roseana e o marido Jorge Murad. Mas por que tudo só veio
a público após a definição do candidato
oficial do governo, José Serra, cujas chances de sucesso
nas urnas dependem diretamente do fracasso da governadora?
E, afinal, qual é a verdadeira Roseana? A mulher que
estava fadada a administrar o país com graça,
charme e elegância? Ou a personalidade envolvida em escândalos
como o desvio de recursos da Sudam? Os meios de comunicação
fabricam fantasias, ilusões, miragens. O poder da imagem
e da informação oblitera a memória,
afirma Álvaro de Aquino Gullo, professor de Sociologia
da Comunicação de Massa da USP. Ele compara a
cobertura eleitoral aos programas de televisão Big Brother
(Rede Globo) e Casa dos Artistas (SBT), nos quais o público
tem direito de escolher quem será alijado da disputa
por um prêmio milionário, em meio a um jogo de
intrigas. O voto é manipulado em ambos os casos.
Tanto o eleitor quanto o espectador embarcam na emoção,
uma vez que a mídia trabalha com mecanismos de identificação
e projeção e veta a capacidade de reflexão
do indivíduo.
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