O coronelismo
eletrônico domina Norte e Nordeste
Se um gigante
privado como a Globo se articula com grupos políticos
para defender seus interesses múltiplos, diversos e complexos,
o coronelismo eletrônico fenômeno que se
verifica especialmente no Norte e Nordeste do país
obedece à lógica da política de varejo,
nos mais distantes rincões do país. Famílias
como as de José Sarney, Jader Barbalho e Antônio
Carlos Magalhães são donas de verdadeiros impérios
regionais de comunicação. O quadro favorece distorções
violentas como a ocorrida na campanha para a prefeitura de Salvador,
em 2000, quando o jornal Correio da Bahia, de ACM, não
publicou uma fotografia sequer dos quatro candidatos que disputavam
a eleição com o político apoiado pelo ex-senador
baiano.
| Folha
Imagem |
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Sarney
trocou milhares de concessões de TV e rádio
pelo mandato de cinco anos
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No plano
regional, por sinal, a interferência da mídia tende
a ser mais direta e objetiva. No Rio Grande do Sul, o
grupo RBS se propõe a atuar como um partido político,
tomando a iniciativa de articular setores sociais e interferir
na disputa política de forma deliberada, afirma
Daniel Herz, coordenador do Fórum Nacional de Democratização
da Comunicação, que reúne 13 entidades.
Ele observa que a RBS escolhe determinados temas que considera
pontos frágeis das administrações do PT
na prefeitura de Porto Alegre e no governo do Estado, como a
segurança, para tentar desmoralizar o partido. Fiscalizar
é obrigação da imprensa, mas o que notamos
é que a empresa age com intencional disposição
de fazer proselitismo e desacreditar o poder público,
utilizando para isso, muitas vezes, de recursos sensacionalistas,
diz Herz.
| Patrulha
acadêmica |
| Uma
rede de pesquisadores ligados à Associação
Nacional de Pós-Graduação em Pesquisa
e Ciências Sociais (ANPOCS) vai fiscalizar a cobertura
da mídia nas eleições de 2002. Especialistas
de nove estados pretendem identificar a formação
da agenda da campanha. Quais temas ganharão as primeiras
páginas violência, corrupção,
saúde? Haverá pluralidade de versões?
Os pesquisadores querem verificar ainda se a imprensa dará
mais ênfase às diferenças programáticas
entre os candidatos ou à corrida de cavalos,
como qualificam o sobe e desce das pesquisas eleitorais.
Pela primeira vez no país, o papel da mídia
será objeto de pesquisa nacional com metodologia
comum. |
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