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Formalismo
das relações incomoda sindicalistas
Edvige
Gasparotto
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| Foto:
René Cabrales |
A rusga envolvendo
o movimento sindical e o governo Olívio Dutra ganhou novo
contorno desde a posse do presidente da Central Única dos
Trabalhadores (CUT/RS), Quintino Severo, no início de julho,
quando este afirmou que o governo de Olívio não
dialogava com os trabalhadores. Formalismo, diálogo truncado
e falta de participação no projeto mais importante
envolvendo o funcionalismo público são questões
que incomodam o dirigente e que, segundo ele, acabaram agravando
a difícil relação entre o governo
do Estado e a direção da Executiva.
No início
do atual governo, a CUT tinha uma relação complicada
porque a discussão acabava não passando por dentro
da Executiva, e só se alterou na medida em que se tornou
mais formal, lembra Severo. Havia problemas porque
era uma relação com poucas pessoas, todas militantes,
confundindo o movimento sindical, que não estava acostumado
a ter representantes no governo do Estado. Pelo fato da
conquista do poder ser uma experiência nova, o dirigente
reconhece que era natural que o relacionamento fosse complicado
e que a militância fizesse uma certa confusão.
O governo,
por sua vez, assegura que sempre respeitou a autonomia do movimento
sindical e diz que vai estabelecer relações com
todos os setores da sociedade, especialmente com os trabalhadores.
Sempre tivemos uma relação qualificada, mas
que pode ser aprimorada com as centrais sindicais, particularmente,
com a CUT, garante o secretário do Trabalho, Cidadania
e Assistência Social, Tarcisio Zimmermann. Em relação
ao formalismo que Severo afirma existir, o secretário recorda
que, de alguma forma, entre o governo e as instituições
da sociedade sempre devem ocorrer relações baseadas
no respeito e na formalidade. O que não podem se formar
são as que chama de burocratizadas, e sim as de respeito
à identidade, à autonomia e também aos pressupostos
legais que orientam as relações entre o governo
e as organizações da sociedade.
Se o assunto
é relacionamento, Zimmermann observa que o governo Olívio
Dutra promove um processo permanente de consulta e de apoio às
demandas feitas pela CUT. No caso específico da Secretaria
do Trabalho, informa sobre o apoio dado a inúmeros eventos
organizados pela entidade, inclusive financeiramente, sem que
isto provoque a tal relação burocrática.
Entendemos a importância deste incentivo, e não
criamos dificuldades artificiais, não-transponíveis,
ao movimento. Procuramos fazer um processo de relação
qualificada que se aprimora permanentemente e, a partir da experiência
de governo, se firma como uma relação não-privilegiada
porque precisamos priorizar o conjunto da sociedade, assinala.
O relacionamento
se desestabilizou em dezembro, quando foi lançado o pacote
de reforma fiscal e salarial dos servidores. O secretário
assegura que houve um processo de diálogo, de discussão
de consulta em torno das medidas. Garante que o próprio
governador Olívio Dutra, antes de encaminhar o projeto
para a Assembléia Legislativa, apresentou as medidas durante
reunião com dirigentes das centrais sindicais, que inclusive
procederam algumas mudanças. Uma atitude que, segundo ele,
nunca foi patrocinada por todos os governos federais quando o
tema foi a fixação do salário mínimo.
Severo recorda, porém, que a CUT soube das medidas do projeto
depois da definição. A entidade chegou a apontar
problemas de método e no aspecto de conteúdo, carregados
de contrariedades aos interesses do movimento sindical,
expõe. O pacote foi elaborado sem ouvir os parceiros
do projeto.
Entendemos
que se a CUT deve ser parceria para defender o governo, também
deve ser parceria para opinar. Para a maioria da direção
da Central, as ações definidas simplesmente não
contemplavam os trabalhadores. Um dos grandes entraves é
que jamais poderia vincular o aumento do funcionalismo à
elevação dos impostos. Também havia divergências
no aumento da Previdência para os funcionários do
Estado.
Zimmermann
quer o movimento sindical presente na discussão sobre as
matrizes salarial, orçamentária e de tributos, definidas
através de assembléias do Orçamento Participativo.
Nasce, assim, o grande debate com o conjunto da sociedade,
além dos fóruns privilegiados, expõe.
Inúmeros dirigentes da própria CUT são delegados
ou conselheiros do OP que, conforme o secretário, são
bastante representativos com intervenções, levando
propostas e se constituindo importantes participações.
Severo admite
que o governo tem chamado a CUT para analisar, principalmente,
a matriz tributária dos servidores, tema que envolve a
elevação de impostos. Antecipadamente, a entidade
não é contrária ao aumento, mas quer debater
quem vai pagar mais tributos. A Central defende maior arrecadação
de quem dispõe de mais recursos, taxando grandes fortunas
que, segundo os dirigentes, pagam pouco em relação
à quota dos trabalhadores. A CUT ainda não tem proposta,
mas entende que o imposto deva ser progressivo.
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Zimmermann
aposta no protocolo para regular as negociações
Foto: René Cabrales |
E como ficarão
as relações entre governo e movimento sindical até
o final da atual gestão? O secretário acredita que
o atual processo de aprimoramento será mantido em ambos
os lados. O governo compreende melhor os movimentos sindicais
e aprende mais sobre a importância do conjunto da sociedade,
enquanto o movimento sindical entende um pouco melhor a natureza
de suas relações com o governo e os seus limites
estruturais, analisa Zimmermann. Diz, também, que
a meta é estancar as perdas salariais dos servidores. Se
houver possibilidade de fazer correções na matriz
salarial, reduzindo esta diferença, que hoje é de
um para 140 vezes, cortando os salários mais altos, o Palácio
Piratini vai melhorar os salários mais baixos.
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| Quintino
ameniza o discurso |
Severo promete
manter um canal de diálogo enquanto estiver à frente
da CUT, principalmente para que o projeto do atual governo seja
concretizado. Garante não promover nenhuma política
que possa prejudicá-lo. O que a Central não vai
admitir é estar submetida ao governo, conforme ficou definido
entre as resoluções aprovadas no Congresso, de autonomia
e independência em relação a partidos, credos
ou religiões. Não quer que o governo peça
à entidade apoio a algo que os sindicalistas não
defendem. Mas se essas ações representam as idéias
e a vontade do trabalhador, o presidente assegura que vai incentivá-las.
No entanto, deixa claro: Não vamos fazer adesão
ao governo nem oposição irresponsável no
sentido de destruir este projeto.
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