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Parecer
580: prazo para antigos supletivos acaba em dezembro
René
Cabrales
As escolas de Educação de Jovens e Adultos (antigos
Supletivos) têm prazo até o final de 2001 para se
adaptarem às normas estabelecidas pelo Parecer 580/2000
do Conselho Estadual de Educação (CEEd) aprovado
em Plenário em julho do ano passado.
Da redação
O que acontece é que os antigos Supletivos devem renovar
suas autorizações em 31 de dezembro de 2001, quando
ficam sujeitos aos efeitos do Parecer 580 e devem estar de acordo
com suas exigências para obter a renovação.
As demais instituições têm prazo até
o dia 31 de dezembro de 2002 para se adaptarem às novas
regulamentações.
O Parecer 580 estabeleceu condições para a oferta
do ensino médio no Sistema Estadual de Ensino, detendo-se
mais detalhadamente sobre a questão ambiental das instituições,
especialmente no que se refere às instalações
físicas. Conforme Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS e integrante
da Comissão de Ensino Médio e Educação
Superior do CEEd, o parecer é fruto de um longo processo
de discussão da Comissão sobre a conjuntura do setor.
A medida substituiu parecer anterior, de número 909, "que
tinha normas muito vagas no que diz respeito à ambientação".
Fuhr diz que a grande demanda por vagas no ensino médio
teve como resposta o surgimento de muitas novas escolas. "Após
vários anos de visitações ficou constatado
que os pedidos que chegavam ao Conselho Estadual de Educação
eram cada vez mais problemáticos", observa. "Parte
desses problemas eram gerados pela existência de "normas
condescendentes e flexíveis".
O parecer 580/2000 fundamenta-se no princípio de que, conforme
as leis estaduais 9.672, de 19 de junho de 1992, e 10.591, de
28 de novembro de 1995, é competência do CEEd fixar
normas para o funcionamento, o reconhecimento e a inspeção
dos estabelecimentos de ensino. Na introdução do
parecer são citadas a Constituição Federal
e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
- LDBEN - como argumentos justificativos pelos quais o Conselho
"mais uma vez, manifesta sua preocupação quanto
à qualidade do ensino de nível médio no Estado,
em especial na instalação de novas escolas, ou naquelas
que pretendem oferecer mais este nível de ensino".
A parte do parecer relativa à área física
acabou se transformando em razão de descontentamento para
diversas escolas, especialmente os vários cursos supletivos
que funcionam na região metropolitana de Porto Alegre.
Marcos Fuhr diz que a reação não se justifica
até porque o documento não representa "novidade
ou exacerbação em termos legais pois, basicamente,
traz o que já consta na legislação dos municípios".
No tocante à ambientação das escolas, o parecer
define que "os estabelecimentos que ofertam ensino médio
devem ser exclusivos para a atividade educacional e ter acesso
próprio desde o logradouro público". Ou seja,
não serão autorizadas escolas instaladas em prédios
comerciais que não sejam de uso exclusivo da escola, por
exemplo. O parecer ainda estabelece medidas padrões para
salas de aula, estabelece a instalação de laboratórios
de ciências, bibliotecas, área para educação
física e área livre para recreação
equivalente a um terço da soma das áreas de todas
as salas de aula.
O relator da Comissão de Ensino Médio e Educação
Superior, Renato Raúl Moreira, diz que o Parecer 580/2000
"foi um dos pareceres mais debatidos" pela Comissão.
"Foi um trabalho extenso de dois anos, iniciado em 1998 e
concluído em 2000. A matéria foi esgotada dentro
da comissão," diz ele. "Durante esse processo
foram consultados especialistas na área de educação
nas universidades, o pessoal da Secretaria de Obras e foi feita
uma pesquisa nas legislações municipais com consultas
a planos diretores e códigos de obras e edificações",
informa Moreira. Marcos Fuhr reitera que, na realidade, "as
escolas ficaram surpresas com a exatidão e a precisão
das exigências do Parecer". "O Sinpro/RS tem ampla
concordância com a medida uma vez que não se pode
estabelecer um processo educacional sem a ambientação
adequada", analisa o diretor do Sindicato.
Bruno Eizerik, diretor administrativo do Curso Monteiro Lobato,
diz que sua escola, assim como vários outros cursos supletivos
de Porto Alegre, estão fazendo o possível para se
adaptar ao Parecer 580, embora não concordem com ele. "Muitas
escolas vão fechar, gerando desemprego e deixando alunos
desatendidos", prevê Eizerik. E acrescenta: "De
certa maneira, entendemos que o Conselho pode rever alguns detalhes.
Acho que deveria haver uma preocupação maior com
a questão pedagógica que não pode ser sobrepujada
pela questão material." Marcos Fuhr, por sua vez,
diz que o Sinpro/RS preocupa-se globalmente com a questão.
"Assim como o Sindicato tem preocupação em
zelar para que os professores tenham suas reivindicações
satisfeitas, deve também apoiar medidas que visam implementar
a ambientação adequada das instituições
de ensino", explica.
Renato Raul Moreira salienta que o parecer "tem a intenção
de dar parâmetros mínimos de homogeneidade ao ensino
médio estadual". Segundo ele, a qualidade do ensino
médio é decisiva especialmente por tratar-se da
etapa final da educação fundamental. Marcos Fuhr
entende que para o Sinpro/RS, o Parecer 580 "representa a
normatização mais precisa e mais exigente do ensino
médio e é uma consolidação, em termos
de educação, da legislação predial
existente."
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