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Quais as
competências para operar em ciclos de aprendizagem plurianuais?
(continuação)
O
Traduzir
os objetivos de final de ciclos em dispositivos de aprendizagem
Um ciclo de aprendizagem é definido em primeiro lugar pelas
aprendizagens a que visa, como uma etapa da escolaridade associada
a conteúdos de ensino e a níveis de domínio
das competências de base visadas pelo conjunto do curso.
Nesse sentido, os ciclos têm a função que
tinham antes as séries anuais: constituir marchas, progressões.
A diferença é que essas etapas são plurianuais.
Seria uma lástima se, por medo da complexidade, nós
as fracionássemos como etapas anuais. Com isto, nada de
essencial teria mudado!
Uma concentração explícita nos objetivos
de final de ciclo, uma verificação sistemática
instaurada expressamente desde o início do percurso e a
dilatação dos prazos de certificação
são três elementos complementares que deveriam permitir
dar prioridade às aprendizagens essenciais. Nessa perspectiva,
a maior parte dos sistemas escolares tratou de reescrever seus
programas a fim de definir as expectativas de final de ciclo.
Se a intenção é estimular as equipes de ciclo
a demonstrar flexibilidade e continuidade na organização
do trabalho, bem como facilitar a construção de
saberes a longo prazo, evitando uma divisão de horário
muito fragmentada, a instituição deve resistir à
tentação de fracionar o percurso em pequenas etapas,
dissuadindo, assim, os professores de aprender a comandar percursos
de formação de três ou quatro anos.
Os professores vêem-se obrigados, então, a traduzir
objetivos de final de ciclo em uma sucessão de dispositivos
de seqüência e de situações de aprendizagem.
O planejamento plurianual cabe a ele, mesmo que o sistema educativo
lhe proponha balizas, critérios e ferramentas de avaliação
formativa. O essencial é que este planejamento seja suficientemente
amplo para assegurar o desenvolvimento progressivo e controlado
de competências de alto nível (saber resolver problemas
complexos, redigir textos de tipos diversos, comunicar em função
da pessoa à qual a mensagem é destinada). Esse desenvolvimento
será mais controlado quanto a progressão for constantemente
analisada e der lugar a regulações.
Para garantir esse comando, os professores devem antes de mais
nada desenvolver dentro da escola e, sobretudo, de sua equipe
de ciclo uma visão comum dos objetivos. Com base nisso,
eles decidirão as condutas didáticas e as ferramentas
pedagógicas com as quais julgam poder ajudar os alunos
a atingir os objetivos visados.
A experiência mostra que os alunos só aprendem desde
que sejam regularmente confrontados com seqüências
e situações didáticas durante as quais deparam
com obstáculos que os obrigam a construir novos saberes
ou a reestruturar e consolidar aquisições. Para
ser capazes de desenvolver essas estratégias didáticas,
os professores devem não apenas conhecer bem os objetivos
de aprendizagem e os planos de estudo, como também se orientar
a partir de um referencial rico e diversificado de situações-problema,
que eles combinarão ou adaptarão conforme as necessidades
e as circunstâncias. Finalmente, devem dispor de um bom
conhecimento dos processos pelos quais os alunos constroem seus
saberes, de modo a ser capazes de oferecer-lhes o apoio necessário.
Observar e gerir a progressão dos alunos
As equipes de ciclos devem desenvolver uma visão comum,
não apenas dos objetivos de aprendizagem quanto também
da evolução de seus alunos e das dificuldades encontradas
por eles. Em vista disso, observarão seus alunos regular
e sistematicamente e confrontarão suas observações
a fim de chegar a uma compreensão de suas progressões
tão completa e objetiva quanto possível.
Para poder mensurar o caminho percorrido, para serem capazes de
determinar as etapas de aprendizagem seguintes e mesmo as regulações
individuais ou coletivas, devem ser capazes de distinguir as etapas
decisivas de progressão que permitirão aos alunos,
ao concluí-las e atingir os objetivos de final de curso,
bem como inventar dispositivos de aprendizagem que respondam,
de um modo ou de outro, às necessidades individuais de
seus alunos. O desafio consiste em criar o equilíbrio necessário
entre abordagens coletivas e condutas individualizadas, em recorrer
tanto às ferramentas tradicionais que se mostraram valiosas
quanto às abordagens mais insólitas que, talvez,
para um determinado aluno em um determinado momento pudessem resolver
um problema particular, ou ajudá-lo a dar sentido às
aprendizagens e aos esforços que são exigidos dele.
Desenvolver uma organização do trabalho ágil
e flexível
Os ciclos de aprendizagem somente podem funcionar se inventarem
modalidades organizacionais mais ágeis e flexíveis
para que os professores possam introduzir mais facilmente as diferentes
medidas pedagógicas que lhe permitirão levar em
conta as necessidades e os ritmos mais diversos de seus alunos.
Por outro lado, essas medidas devem ser adaptadas às realidade
locais mais diversas (número de alunos por ciclo, estabilidade
dos grupos, competências e disponibilidade dos professores,
história da equipe, parcerias diversas, natureza do bairro,
entre outras). Portanto, cabe às equipes conceber, fazer
evoluir e combinar entre si uma gama de funcionamentos e de modalidades
organizacionais. Assim, algumas escolas avançarão
bastante em sua concepção de uma abordagem modular,
que exige maior cooperação profissional, enquanto
outras preferirão ater-se a uma organização
mais tradicional (agrupando em classes permanentes os alunos da
mesma idade) e menos exigente no plano da organização
das práticas.
Em qualquer hipótese, os novos programas estimulam a ampliação
dos repertórios didáticos e pedagógicos.
Alguns objetivos podem ser trabalhados no contexto habitual da
classe, enquanto outros são melhor trabalhados no quadro
de um projeto coletivo compacto, ou em um dispositivo que alterne
momentos de trabalho individual de aprofundamento e momentos de
síntese em grupos, e outros finalmente graças a
"simples" exercícios no computador... Alguns
objetivos exigem uma forte cooperação entre alunos,
outros somente podem ser atingidos ao final de um longo trabalho
individual.
Os ciclos de aprendizagem oferecem a oportunidade de transformar
a organização individual do trabalho, acrescentando-lhe
dispositivos inéditos que a grade de horário tradicional
e o confinamento dos professores em suas salas de aula não
permitem sequer imaginar. Eles obrigam os professores a abandonar
a "ordem escolar estabelecida", confrontando-os com
a necessidade de planejar e de reinventar a organização
do trabalho em função das necessidades e das prioridades
não apenas dos alunos, mas também de seus colegas
de equipe. Para fazer valer seu ponto de vista diante de seus
colegas, o professor deve desenvolver competências de comunicação
e de negociação das quais não necessitava
para gerir sua classe como "único professor a bordo".
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