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A
era do livro
César
Fraga
No próximo
dia 10 de agosto às 8h30min, o escritor e jornalista Flávio
Aguiar (USP), autor de Anita (Ed.Boitempo), ganhador do prêmio
Jabuti de melhor romance de 2000, realizará a palestra
A era do Livro: Ascensão ou declínio? na
sala 209 da Usina do Gasômetro. A promoção
é da SMC/Prefeitura Municipal de Porto Alegre com apoio
do Sinpro/RS. O objetivo do evento é discutir políticas
culturais para o livro e literatura, bem como o intercâmbio
de informações entre os participantes : escritores,
professores, estudantes, editores, bibliotecários, enfim
todos que, de uma forma ou de outra, vivenciam a literatura no
seu dia-a-dia. Veja o que o palestrante adiantou ao EC sobre o
tema de sua palestra.
| Divulgação |
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Para
Flávio Aguiar é preciso pensar
que pensar pode dar prazer
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EC
O que o senhor compreende como Era do Livro?
Flávio Aguiar De um modo rápido, posso
dizer que me refiro à época inaugurada a partir
das Grandes Revoluções do Século XVIII e
também do século XIX. É a época em
que se afirmam os ideais da modernidade e em que a consciência
do súdito começa a ceder espaço para a consciência
do cidadão. A leitura deixa de ser um privilégio
(e uma exceção, em termos estatísticos) e
passa a ser encarada como um direito do cidadão. Engendra-se
a imagem do leitor moderno, de marca liberal: um leitor individual,
mesmo que modesto em termos de posse, caseiro, que lê em
horas de recolhimento e reflexão. O símbolo maior
desta pertença cultural à modernidade
é a biblioteca privada, mesmo que pequena. Esta, para mim,
é a era do livro.
EC Ela está acabando ou evoluindo para uma outra
coisa?
Flávio Aguiar Penso que não está
acabando, nem em declínio, como querem algumas afirmações
sensacionalistas, do tipo, é o fim do livro e do
jornal. Mas está se transformando, e nem sempre vejo
com bons olhos o sentido destas transformações.
Há um impulso muito forte por parte de setores mediáticos
e virtuais no sentido de substituir a consciência do cidadão
pela consciência do consumidor, e nesse contexto a cultura
passa a ser encarada como uma espécie de banco de
dados neutro, à disposição do usuário.
As imagens e os símbolos perdem a sua dimensão histórica,
ou a têm atenuada. O acesso e a velocidade das leituras
aumentam enormemente, mas decai ou declina seu potencial crítico
e de reflexão individualizada. Crescem assustadoramente
o individualismo e a massificação, que andam de
mãos dadas. Neste contexto a era do livro, enquanto ideal
de cidadania, pode sim declinar.
EC Que tipo de políticas poderiam reverter o
Brasil em um país leitor?
Flávio Aguiar Penso que o mais importante é,
em primeiro lugar, potenciar a leitura como apreensão crítica,
reflexiva e prazerosa do mundo. O mais difícil, às
vezes, é levar as pessoas a pensar que pensar pode dar
prazer, tantas são as agruras e amarguras crescentes neste
mundo pós-moderno e neoliberal. Não adianta só
pensar em aumentar o índice de livros lidos por pessoa
por ano, por exemplo, embora este seja um indicador importante.
Acho que o mais importante é fazer as pessoas compreenderem
que aprofundar a leitura, pensar através dela, ter prazer
com ela é uma forma de aumentar a auto-estima individual
e coletiva.
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