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Educando
os educadores para o século 21
Kátia
Madruga*
Com a chegada
de um novo milênio, aparece o desafio de olharmos para o “espelho”
que reflete a imagem do educador e observarmos atentamente todos
os acertos e defeitos. Surgem, então, algumas perguntas: Onde
é possível melhorar? Que pontos positivos podemos ressaltar?
Particularmente,
preocupo-me muito com um dos defeitos: a não inclusão, durante
as aulas, de assuntos ligados aos problemas e maravilhas ambientais.
Pergunto-me, então: como estou educando meus alunos em relação
às questões ecológicas? Como fazê-los entender que muitos dos
recursos não são renováveis? Como proporcionar discussões em
torno dos custos ambientais (material desperdiçado, meio ambiente
destruído)? Como orientar o diálogo para o reconhecimento e a
proteção das riquezas naturais que este país possui? Como fazer
os alunos observarem os ciclos dos produtos, que não se trata
apenas de pegar o produto final na prateleira do supermercado?
Como fazê-los entender que somos privilegiados, vivendo num país
de uma beleza natural imensa e que precisamos aprender a respeita-la?
Como falar de ética ambiental num país em que as pessoas derrubam
árvores para ganhar dinheiro?
Reconheço
vários pontos positivos: a preocupação está me levando a “procurar
espaço” para incluir os assuntos ambientais nas aulas. Sei respeitar
a criatividade dos alunos, percebo que os alunos brasileiros
são bastante flexíveis e abertos a mudanças.
Estas preocupações
e reconhecimentos não surgiram por acaso. Nos últimos anos, tenho
lido muito e participado de vários cursos sobre Educação e Gestão
Ambiental. Mais recentemente estive participando de um curso
em Lund, na Suécia (29 de maio a 18 de junho de 1999) sobre a
implementação da Gestão para Prevenção da Poluição nos currículos
universitários. Éramos 32 participantes de 25 países em desenvolvimento.
O curso deixou
claro que na Europa, nos Estados Unidos e Canadá crescem o número
de disciplinas que discutem as questões ambientais, tanto nas
séries primárias quanto no nível superior. Com certeza, os países
de economias menos privilegiadas também têm que se preocupar
com a maneira como estão educando seus alunos e preparando o
profissional do próximo século em relação à utilização dos recursos
naturais.
Como educadora
de um país que enfrenta uma série de problemas sociais, penso
que os assuntos ambientais estão diretamente ligados às questões
sociais, políticas e econômicas. E que precisamos inclui-los nas
agendas de discussões, aproveitando que trabalhamos com alunos
que culturalmente estão aptos a mudanças e a desafios.
* Kátia
Madruga é professora da Administração de
Empresas da Ufrgs e da Fates Lajeado
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