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Hora
atividade
Professores
podem ir à Justiça para garantir remuneração
Seminário
estadual 104 professores de escola de todo o estado em Imbé,
nos dias 17 e 18 de julho
Da Redação
Os
professores da rede particular de ensino do Estado não abrem mão
da remuneração da Hora-Atividade, jornada de trabalho realizada
para a preparação de aula, correção de provas, entre outras atividades
extra-classe. Em seminário estadual sobre o assunto, promovido
pelo Sinpro/RS nos dias 17 e 18 de julho, 104 professores apontaram,
por unanimidade, a Justiça do Trabalho e a incidência da categoria
junto a elaboração da Lei do Sistema Estadual de Ensino como iniciativas
que devem somar-se aos esforços do Sindicato dos Professorers
do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) para garantir o pagamento deste
trabalho.
No encontro,
que contou com o painel A dicotomia trabalho e lazer, apresentado
pelo psicanalista Natal Fachini, os participantes debateram
sobre a normatização da Hora-Atividade e o professor frente às
exigências pedagógicas. Já no painel Abordagem jurídica da Hora-Atividade,
analisaram a esfera jurídica como um caminho para garantir o
pagamento desse trabalho.
Neste mês,
o Sinpro/RS realizará plenárias em todas as regiões do estado
para debater sobre as iniciativas propostas pelo seminário. Também
fará um plebiscito junto à categoria e uma assembléia geral para
definir sobre o ajuizamento de ações coletivas contra as escolasque
não remuneram seus professores por essa dupla jornada.
“Passamos
quase dez anos reivindicando o pagamento desse trabalho”, observa
Cecília Bujes, diretora do sindicato. “Em março deste ano, durante
o dissídio coletivo, o sindicato patronal reconheceu a Hora-Atividade
mas mais uma vez se manteve resistente em atender à reivindicação”.
De acordo
com os professores, a rede pública federal, estadual e municipal
de Porto Alegre e algumas instituições de ensino superior privado,
como a PUC e a Unisinos, já remuneram a Hora-Atividade. No final
de 1996, um elemento novo somou- se aos argumentos da categoria
na reivindicação pelo reconhecimento deste trabalho: a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação. Segundo os dirigentes do Sinpro/RS,
constata-se nessa lei a obrigatoriedade para todos os professores
de um período reservado para estudos, planejamento e avaliação,
independente de rede de ensino, pública ou privada, uma vez que
ambas integram os correspondentes sistemas de ensino. Ou seja,
a educação superior privada integra o Sistema Federal, o ensino
fundamental e médio integra o Sistema Estadual e a educação infantil
o Sistema Municipal ou igualmente o Sistema Estadual, em caso
de opção do município. “No seminário, definimos a incidência da
categoria na elaboração da Lei do Sistema Estadual de Ensino para
que nela se contemple com clareza e objetividade a Hora-Atividade”,
observa Marcos Fuhr, dirigente do Sinpro/RS.
Ficou definido
também no seminário de que no ato das rescisões contratuais dos
professores, o representante do Sinpro/ RS fará ressalva quando
as verbas rescisórias não contemplarem o pagamento da Hora-Atividade.
O sindicato ainda orientará os advogados da entidade a ingressarem
em juízo com reclamatórias individuais sobre o assunto.
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Falta
de lazer pode gerar doenças
O jornalista,
pedagogo e psicanalista Natal Fachini abriu o Seminário
Estadual sobre a Hora-Atividade com o painel A dicotomia
Lazer e Trabalho. Defensor absoluto do direito ao lazer,
Fachini disse que a reivindicação pelo reconhecimento da
Hora-Atividade é uma iniciativa mais do que pertinente.
“As exigências super heróicas do professor, a tensão nervosa,
o volume de trabalho que leva para casa... tudo isso reflete
no aumento das doenças”, alertou. “Diante deste quadro,
a natureza fala pela doença, pelos sintomas psicossomáticos
pelo stress”. Para ele, é mais do que necessário educar-se
para o lazer. “É um direito intransferível. É o tempo de
percaria, de diversão. Se origina pela defesa natural,
como o direito ao alimento, a cultura”.
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