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o botão para ampliar o mundo
Jéferson
Assunção 
É para levar
a um maior número de pessoas “o mais humano dos hábitos”, como
bem o definiu o escritor Moacyr Scliar, que um grupo de professores,
escritores e leitores comuns integra há 20 anos a Associação Internacional
de Leitura Conselho Brasil Sul (ALBS).
Parte brasileira
e gaúcha da Associação Internacional de Leitura (International
Reading Association -IRA -, sediada em Newark - EUA - e que leva
a leitura a várias partes do mundo), a associação tem como objetivo
promover a leitura e debater os diversos olhares sobre a produção
literária, principalmente a brasileira e portuguesa. Um tanto
desmotivada - quem sabe devido à tamanha resistência dos brasileiros
em ler? - a entidade andava devagar, quase parando, até que, desde
o início do ano passado, uma nova página tem sido virada na história
da entidade.
Com uma nova
presidente, a professora do Centro Universitário La Salle (Unilasalle)
Lia Scholze, a ALBS vem retomando suas atividades. Os ex-associados
estão sendo contatados e interessados, convidados a participar.
Em pouco tempo de retomada, o Conselho Brasil Sul - único do País
- já tem o que comemorar, e não é pouco.
Uma das novidades
é a sede (uma sala no sexto andar da Usina do Gasômetro), cedida
pela Prefeitura de Porto Alegre. Ali se estruturam as diversas
atividades da ALBS.
Apesar de
formada em sua maioria por professores, a associação não quer
ser apenas um espaço de discussão acadêmica e sim de formas práticas
de se levar a leitura a um maior número de pessoas. Por isso,
suas diversas palestras e encontros são abertos a qualquer um,
independente de formação ou não na área de literatura. “Não há
pré-requisito, pois são oportunidades abertas a todos os interessados.
Nossos objetivos são aproximar os leitores dos livros e os leitores
entre si”, fala Lia. A presidente diz que a principal preocupação
da ALBS é fazer com que mais pessoas cheguem a um melhor patamar
de cultura. “A leitura amplia o mundo e a entidade quer dar sua
contribuição ao desenvolvimento da leitura em todos os espaços
em que se faça possível, estabelecendo parcerias com todos aqueles
que tiverem o ato de ler como objetivo de seu trabalho”, afirma.
Além de palestras
e encontros, a entidade cria “espaços de troca” para professores
da área. Um deles é um ciclo itinerante que já passou pela Usina
do Gasômetro, Ritter dos Reis e terá uma próxima edição na Fapa,
dia 6 de dezembro. Será uma conferência sobre a obra de Guimarães
Rosa, com a doutora em Literatura Regina Silveira. Outra ação
que está sendo programada pela nova diretoria é a publicação mensal
de Leitura em Revista, em parceria com a Universidade de Ijuí
(Unijuí). A previsão de Lia é que a revista comece a circular
em maio de 2001, com venda em livrarias de todo o Estado. Vai
discutir leitura, é claro.
Na mesma trilha
árida da leitura no Brasil - país que lê um livro per capita ano,
enquanto Chile, Uruguai e Argentina lêem quatro e países desenvolvidos,
de 15 a 25 per capita/ano – a ALBS tem vários passos previstos.
Entre eles, reeditar o Boletim da ALBS, criar a home page da entidade
– que trará diversas informações sobre leitura e literatura –
criar um banco de dados sobre profissionais da área de leitura
e literatura, organizar uma agenda de encontros mensais, em sua
sede, com especialistas na área de leitura e literatura. Lia também
pretende criar Núcleos Regionais da ALBS, no interior do Rio Grande
do Sul e em Santa Catarina e Paraná – um desses núcleos foi criado
em 1999 em Ijuí. Pregando no deserto, mas com a consciência tranqüila
por fazer sua parte, desde sua fundação, em 3 de maio de 1979,
a ALBS já promoveu cinco encontros nacionais do livro, sete encontros
regionais de pesquisa e leitura, dois seminários nacionais de
literatura do 3º mundo, um encontro sobre Política do Livro Didático
e Ensino de 1º e 2º Graus e o 1º Encontro Literatura na Escola.
Quem quiser fazer sua parte do grupo e ajudar a disseminar o hábito
da leitura pode entrar em contato pelo endereço eletrônico albs@ritterdosreis.br
ou pelo telefone (51) 212.5979 ramal 244. Motivos para entrar
em uma associação destas? Todos, afinal trata-se de um tipo de
solidariedade mais que necessária a uma sociedade tão carente
de leitura, e que, por conseqüência, vive num mundo tão pequeno
quanto sem graça.
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