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A Matriz
Tributária
Cássio
Galvão Bessa*
O sistema
tributário em nosso país tem se mostrado injusto e perverso há
muito tempo, onerando os que ganham menos e privilegiando os que
acumulam a maior fatia da riqueza nacional. O debate ideológico
sobre este problema tem aparecido nas disputas eleitorais, onde
se contrapõem os distintos projetos sobre a economia do país.
Mais do que os discursos, são as práticas dos governantes que
mostram claramente a concepção de cada projeto.
Nesta perspectiva
é que visualizo o debate acerca da Matriz Tributária hoje colocada
em pauta na Assembléia Legislativa do RS, onde se materializa
novamente a bipolarização ideológica que marcaram as últimas eleições
para o governo do estado, mostrando os diferentes projetos e concepções
sobre o tema.
É preciso
politizar a discussão, pois muitas vezes as informações chegam
distorcidas à sociedade, seja pela falta de manejo dos governos
que, na ânsia de aprovar seus projetos nas Assembléias, deixam
de fazer uma discussão mais detalhada com as entidades representativas
da sociedade, ou pelas desinformações expressas muitas vezes em
opiniões e editoriais da nossa grande imprensa.
A partir
da leitura e do debate feito em nossa Central Sindical (CUT),
entendo que este projeto de lei enviado pelo executivo gaúcho
ao nosso parlamento incide na tributação dos setores de investimentos
altamente lucrativos, centrados em modelo tecnológico que pouco
se utiliza da força de trabalho humano, e de outro lado, fortalece
a base da cadeia produtiva de nosso Estado, apostando em setores
e empresas geradoras de emprego e renda. Neste sentido, a direção
da CUT/RS posicionou-se, diferentemente do ano passado, favorável
a esta nova proposta apresentada pelo Governo do Estado.
Detalhando
um pouco o seu conteúdo, o projeto reduz a carga tributária de
vários produtos com alto consumo popular, como mel, biscoitos,
bolachas, salsichas, salsichões, vinagre, hortaliças semi-industrializadas
e sabão em barra, entre outros. Também se reduz a tributação para
importantes setores da nossa economia, como do arroz, da soja
e do setor moveleiro. Criam-se fundos de apoio aos setores de
conservas, do leite, da carne bovina e da suinocultura. Para a
aquisição de seus insumos a indústria de máquinas e implementos
agrícolas terá vantagens fiscais. Ainda os taxistas terão isenção
do ICMS na renovação de suas frotas. A maior contribuição se dará
com o aumento das alíquotas na energia elétrica residencial (somente
para as famílias que consomem mais de 300 kw/h por mês), dos serviços
de comunicação, dos combustíveis, dos cigarros, das bebidas (exceto
vinhos e derivados, incluída também a aguardente), e de produtos
supérfluos (como artigos de antiquários, armas e munições, aviões
de procedência estrangeira, perfumarias).
Para finalizar,
posiciono-me favorável a este projeto de lei apresentado pelo
executivo estadual, ressalvando, assim como a direção da CUT o
fez, que se adote conjuntamente uma política ofensiva em relação
aos sonegadores, tornando público os principais devedores, e que
se contemple a valorização dos servidores estaduais, destinando
não R$ 80 milhões (segundo o projeto apresentado), mas R$ 120
milhões desta arrecadação do novo projeto a estes, assim como
o “zeramento” das datas-base destas categorias, incluindo o Banrisul.
* Diretor
da CUT/RS e do SINPRO/RS
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