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Um grande
negócio chamado educação

No cenário da educação superior do Rio Grande
do Sul, aparece um novo personagem. É a figura do empresário
que encara a educação como um negócio, sem
se preocupar com os aspectos sociais do ensino ou com a formação
humanista dos estudantes. Para ele, importa apenas obter o lucro.
Quem o colocou em cena foi o MEC, ao facilitar ao máximo
o credenciamento de faculdades isoladas, tendo como justificativa
a ampliação da oferta de vagas.
Paulo Cesar Teixeira
e
1999 para cá, pelo menos dez novas IES (Instituições
de Ensino Superior) foram autorizadas a abrir suas portas em território
gaúcho (veja quadro na pg. 9) outras sete estão
na fila aguardando o sinal verde do governo federal.
Trata-se de um fenômeno recente. Até a década
de 90, o avanço da educação superior privada
no Estado obedeceu à outra lógica - as universidades
comunitárias, já consolidadas e com tradição
no ensino, encampavam instituições de menor porte.
A URCAMP (Universidade da Região da Campanha), de Bagé,
por exemplo, absorveu institutos de São Gabriel, Livramento,
Alegrete e São Borja. Mais tarde, abriu novas frentes em
Dom Pedrito e Itaqui. Outro caso é o da URI (Universidade
Regional Integrada), de Santo Ângelo, que se juntou a instituições
já existentes de Erechim e Frederico Westphalen e, depois,
expandiu-se para Santiago, São Luís Gonzaga e Cerro
Largo. A UNIJUÍ (Universidade de Ijuí), por sua
vez, multiplicou sua presença no interior do Estado atuando
também em Santa Rosa, Panambi e Três Passos. A UCS
(Universidade de Caxias do Sul) não fugiu à regra:
após encampar instituições de Bento Gonçalves
e Vacaria, se fez presente em Farroupilha, Veranópolis,
Guaporé e Canela, entre outros municípios. Vale
lembrar ainda que a UPF (Universidade de Passo Fundo) atua hoje
também em Lagoa Vermelha, Soledade e Palmeira das Missões
e que a UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul) fincou âncora
em Capão da Canoa.
Uma portaria publicada no Diário Oficial da União,
no último dia 13 de novembro, ratificou a intenção
do MEC de alterar o perfil do mercado da educação
superior. A medida permitiu que as faculdades isoladas aumentem
em até 50% o número de vagas a partir do próximo
vestibular. Estima-se que, preenchidas, estas vagas renderão
R$ 1 milhão aos empresários do setor. No afã
de demonstrar o crescimento da oferta, o governo torna-se permissivo.
Esta atitude terá conseqüências graves no que
diz respeito à qualidade do ensino e às condições
de trabalho dos professores, afirma Marcos Fuhr, diretor
do Sinpro-RS e integrante do Conselho Estadual de Educação.
A legislação atual também privilegia os novos
empresários do setor. Ela exige, por exemplo, que as universidades
mantenham dois terços do corpo docente com horário
integral, dedicando-se às atividades de pesquisa e extensão.
Cobra também do mesmo percentual de professores a titulação
de mestre ou doutor. No caso de centros universitários,
a exigência de titulação é mantida,
mas não há a obrigatoriedade da pesquisa. Para institutos
e faculdades isoladas, nenhum dos itens é exigido. Há
uma concorrência predatória que conduz à antropofagia.
Embora necessária, a expansão do ensino superior
se dá de forma desordenada. Em alguns casos, a educação
está nas mãos de aventureiros que a vêem apenas
como um negócio, e não se importam com a formação
integral do ser humano, afirma o vice-reitor e pró-reitor
de Ensino e Pesquisa da Unisinos, Pedro Gilberto Gomes. A
qualificação tem um preço. Preocupa a oferta
de um ensino de qualidade duvidosa, ratifica o reitor da
PUC/RS, Norberto Francisco Rauch. Algumas novas instituições
não têm responsabilidade com a comunidade. Não
têm um projeto para a sociedade e não consideram
prioridade formar novos professores de História e Filosofia,
por exemplo, questiona a vice-reitora da UPF, Telisa Graeff.
| Número
de alunos |
| Aumento
na Educação superior 1992 - 1999
BRASIL
51,43% (TOTAL)
60,31% (SETOR PRIVADO)
RS
54,85% (TOTAL)
67,33% (SETOR PRIVADO)
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não é prioridade
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