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Quando
os cursinhos viram faculdades
O discurso dos empresários que, de forma comprovada, estão
desembarcando no novo nicho do mercado gaúcho é
diferente. Eles asseguram ser possível manter a qualidade
do ensino, mesmo reduzindo custos e cobrando mensalidades inferiores
às das universidades. Alguns deles mantinham cursos supletivos
ou de pré-vestibular que, na década passada, passaram
a oferecer ensino de nível médio. Agora, tentam
dar o salto para a Educação Superior. É o
caso do Equipe, de Sapucaia do Sul, na Grande Porto Alegre. Em
1989, surgiu como supletivo. Há cinco anos, iniciou cursos
técnicos de Administração e Turismo. Em 2002,
pretende implantar cursos de nível superior como Bacharelado
em Administração de Empresas e Licenciatura em Letras.
Não faz muito, alunos e professores do Equipe dividiam
o pavilhão onde funciona a escola com uma oficina de automóveis,
que também era inquilina do imóvel. Para esta nova
fase, o Equipe contou com assessoria e orientação
de professores ligados a Ulbra.
Parte dos novos universitários terá aulas à
noite, no prédio do supletivo. Outra ocupará salas
de uma escola municipal, cedidas sem ônus pelo período
de dez anos pela prefeitura. O Equipe planeja abandonar as salas
emprestadas pelo município em dois anos, transferindo a
faculdade para uma nova sede, a ser construída numa área
de 79 mil metros quadrados. Vamos cobrar a menor taxa de
matrícula da região metropolitana, promete
o diretor do Equipe, Joaquim Müller de Paula. Qual será
a fórmula mágica para realizar a façanha
de erguer um prédio novo em folha cobrando mensalidades
baratas? O segredo é dar as costas aos bancos. As
grandes universidades gostam de construir prédios de mármore
com dinheiro emprestado. Vamos crescer utilizando apenas nossas
receitas, alfineta.
| Foto:
René Cabrales |
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Müller
de Paula: Utilizarermos espaço físico
de escola municipal por dois anos
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O
Equipe está perto de receber o sinal verde do MEC, que
já foi dado à Faculdade Luterana São Marcos,
de Alvorada - pertencente à Comunidade Evangélica
Luterana São Marcos, do pastor Ari Pfluck. Há um
ano, ele implantou o curso superior de Administração
de Empresas, com duas turmas de 100 alunos. Agora, a São
Marcos reivindica junto ao MEC mais um curso de Administração,
com habilitação em Recursos Humanos, já para
2002. Pensamos também em Informática,
diz a assessora de expansão universitária, Alice
Polacchini. A mensalidade custa entre 30% e 40% menos em relação
às cobradas por universidades de maior porte. Elas
não têm do que se queixar. A PUC tem redução
de 15% de custos por ser considerada filantrópica. No ano
passado, com a nova lei que regula as entidades de filantropia,
perdeu esta condição, mas depois deu um jeitinho
para recuperá-la, afirma Polacchini.
Para João Paulo Agostini, coordenador da Faculdade de Administração
do Planalto (Faplan), de Passo Fundo, credenciada este ano, a
concorrência caiu como bênção para as
universidades tradicionais. Elas dominaram o mercado por
20 anos. Agora têm que agradecer a oportunidade de se reciclarem.
O objetivo do MEC era dar uma sacudida no setor. A Faplan
deriva do curso pré-vestibular Garra, criado em 1989. Em
1998, passou a oferecer ensino médio e de idiomas. O primeiro
vestibular foi realizado em setembro deste ano, dando vagas a
50 alunos de Administração. No início de
2002, abrigará mais 60. A opção de abrir
a faculdade com o curso de Administração obedece
a uma estratégia de mercado. É a maior demanda
na região. A mantenedora quer resultados. Hoje, o ensino
também é um produto, enfatiza Agostini.
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