Especiais da Jornada de Literatura 2001:
 

Quando os cursinhos viram faculdades

O discurso dos empresários que, de forma comprovada, estão desembarcando no novo nicho do mercado gaúcho é diferente. Eles asseguram ser possível manter a qualidade do ensino, mesmo reduzindo custos e cobrando mensalidades inferiores às das universidades. Alguns deles mantinham cursos supletivos ou de pré-vestibular que, na década passada, passaram a oferecer ensino de nível médio. Agora, tentam dar o salto para a Educação Superior. É o caso do Equipe, de Sapucaia do Sul, na Grande Porto Alegre. Em 1989, surgiu como supletivo. Há cinco anos, iniciou cursos técnicos de Administração e Turismo. Em 2002, pretende implantar cursos de nível superior como Bacharelado em Administração de Empresas e Licenciatura em Letras. Não faz muito, alunos e professores do Equipe dividiam o pavilhão onde funciona a escola com uma oficina de automóveis, que também era inquilina do imóvel. Para esta nova fase, o Equipe contou com assessoria e orientação de professores ligados a Ulbra.

Parte dos novos universitários terá aulas à noite, no prédio do supletivo. Outra ocupará salas de uma escola municipal, cedidas sem ônus pelo período de dez anos pela prefeitura. O Equipe planeja abandonar as salas emprestadas pelo município em dois anos, transferindo a faculdade para uma nova sede, a ser construída numa área de 79 mil metros quadrados. “Vamos cobrar a menor taxa de matrícula da região metropolitana”, promete o diretor do Equipe, Joaquim Müller de Paula. Qual será a fórmula mágica para realizar a façanha de erguer um prédio novo em folha cobrando mensalidades baratas? “O segredo é dar as costas aos bancos. As grandes universidades gostam de construir prédios de mármore com dinheiro emprestado. Vamos crescer utilizando apenas nossas receitas”, alfineta.

   Foto: René Cabrales
Müller de Paula: “Utilizarermos espaço físico de escola municipal por dois anos”

O Equipe está perto de receber o sinal verde do MEC, que já foi dado à Faculdade Luterana São Marcos, de Alvorada - pertencente à Comunidade Evangélica Luterana São Marcos, do pastor Ari Pfluck. Há um ano, ele implantou o curso superior de Administração de Empresas, com duas turmas de 100 alunos. Agora, a São Marcos reivindica junto ao MEC mais um curso de Administração, com habilitação em Recursos Humanos, já para 2002. “Pensamos também em Informática”, diz a assessora de expansão universitária, Alice Polacchini. A mensalidade custa entre 30% e 40% menos em relação às cobradas por universidades de maior porte. “Elas não têm do que se queixar. A PUC tem redução de 15% de custos por ser considerada filantrópica. No ano passado, com a nova lei que regula as entidades de filantropia, perdeu esta condição, mas depois deu um jeitinho para recuperá-la”, afirma Polacchini.

Para João Paulo Agostini, coordenador da Faculdade de Administração do Planalto (Faplan), de Passo Fundo, credenciada este ano, a concorrência caiu como bênção para as universidades tradicionais. “Elas dominaram o mercado por 20 anos. Agora têm que agradecer a oportunidade de se reciclarem. O objetivo do MEC era dar uma sacudida no setor.” A Faplan deriva do curso pré-vestibular Garra, criado em 1989. Em 1998, passou a oferecer ensino médio e de idiomas. O primeiro vestibular foi realizado em setembro deste ano, dando vagas a 50 alunos de Administração. No início de 2002, abrigará mais 60. A opção de abrir a faculdade com o curso de Administração obedece a uma estratégia de mercado. “É a maior demanda na região. A mantenedora quer resultados. Hoje, o ensino também é um produto”, enfatiza Agostini.


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