Especiais da Jornada de Literatura 2001:
 

Governo favorece o setor privado

As facilidades concedidas ao setor privado contrastam com a palidez anêmica dos recursos aplicados na rede pública. Na década de 90, o número de instituições estatais de ensino superior criadas no país beirou o zero, da mesma forma que o investimento na ampliação das áreas já implantadas. “A solução é aumentar a capacidade da rede federal e continuar a expansão do setor privado, ampliando o aporte de recursos públicos para o aluno carente através do FIES (Financiamento Estudantil), que substitui o antigo Crédito Educativo”, afirma o sociólogo Paulo Roberto Corbucci, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

         Foto: René Cabrales
A meta é colocar 20% dos jovens entre
18 e 24 anos na educação superior até 2010

Professor da Universidade Católica de Brasília, ele participou, em novembro, do Seminário Sobre Educação Superior, promovido pelo Sinpro-RS.
O Plano Nacional de Educação fixou como meta colocar 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior até 2010. É improvável que o país alcance o patamar desejado. Atualmente, apenas 12% dos brasileiros nesta faixa etária conseguem se matricular em algum curso universitário, de acordo com as estatísticas oficiais. É uma marca constrangedora, inferior à de países latino-americanos como o Chile e a Venezuela, que superam 20%. Na ótica do MEC, o incentivo aos novos empresários do setor é a fórmula correta para expandir a oferta. A julgar pelo andar da carruagem, a educação superior no país corre o risco de se transformar em produto descartável, igual a qualquer outro exposto em prateleira de supermercado.


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