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Flexibilização
será definida pelos senadores em 2002
O Projeto de Lei nº 5483/01, que visa alterar o artigo 618
da CLT, fazendo com que negociações coletivas prevaleçam
sobre a legislação, foi aprovado na Câmara
(veja abaixo como votaram os deputados gaúchos).
A CUT e seus sindicatos filiados, a Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), juízes do Trabalho, Confederação Nacional
dos Bispos Brasileiros (CNBB), políticos e a sociedade
permanecerão mobilizados em torno da votação
do projeto no Senado Federal que acontecerá somente em
2002 . O que se assistiu durante todo o mês foi uma intensa
mobilização para que o Congresso rejeitasse a proposta.
Várias manifestações foram promovidas em
todo o País, como aconteceu em Canoas, quando sindicalistas
paralisaram os abastecimentos da Refap, em sinal de protesto,
no dia 27 de novembro. A mobilização vai continuar.
Elaboraremos grandes cartazes em cada estado, mostrando quais
deputados votaram contra os trabalhadores e quais ganharam verbas
para votar com o governo, comenta o presidente da CUT, João
Felício, que complementa: Na Câmara ganharam
os banqueiros e os empresários. Mas a sociedade é
contra a defesa da empresa pautada na retirada de direitos dos
trabalhadores.
| Foto:
René Cabrales |
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Mobilização
de trabalhadores na Refap,
em Canoas, dias antes da primeira votação
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Mesmo
assim, o advogado Luís Carlos Barbosa, diretor de relações
trabalhistas da Força Sindical/RS, não se cansa
de declarar: Quem tem se apresentado contra o projeto é
porque está com medo de perder sua representatividade.
Esses oposicionistas são os discurseiros de palanque, como
a CUT e o PT. Já o deputado Paulo Paim, além
de discordar, vai mais fundo na sua análise: Com
este projeto, o governo está tentando revogar a Lei Áurea
para assegurar a escravidão. Enquanto isso, a população,
assistiu às manifestações e à gritaria
no Congresso sem saber bem o que estava acontecendo, até
porque os reflexos do que foi aprovado na Câmara dos Deputados
só aparecerão nos próximos dissídios
e as perdas de direitos ao longo dos anos. O que se sabe de imediato
é que o projeto, se aprovado no Senado, não poderá
contrariar a Constituição e as legislações
previdenciária, tributária e do FGTS, além
das regras de saúde e segurança do trabalhador,
mas os direitos regulamentados na CLT, como férias, 13º,
adicional noturno e até os salários poderão
ser negociados e até reduzidos, por exemplo. O governo
não sabe explicar o porquê de apresentar um projeto
extremamente pesado e cruel como esse sem abrir uma discussão
junto à sociedade. É uma ofensa aos trabalhadores.
Isso me cheira a um grande negócio, alerta o deputado
federal Pedro Celso (PT/DF).
Com a aprovação na Câmara, o projeto do Governo
vai para o Senado Federal e será mais difícil a
aprovação, pois partidos de oposição
somados aos senadores peemedebistas , em princípio contrários
a proposta, somam 42 votos, o suficiente para derrotá-la.
A votação no Senado deverá ocorrer entre
março e abril de 2002, um ano eleitoral. Muitos senadores
concorrerão à reeleição ou ao governo
de seus estados. Lá, eles já avisaram que vão
debater com a sociedade e não votar a toque de caixa,
conta João Felício. Os últimos acontecimentos
demonstram claramente o rumo que as Instituições
Financeiras Internacionais como o FMI e o Banco Mundial, credores
do Brasil, dão ao mercado de trabalho, como diz o sociólogo
Giovanni Alves: O mercado internacional exige uma consolidação
legal de uma precarização efetiva que se caracteriza
pelo desmonte paulatino da legislação trabalhista.
Também corre à boca pequena, nos corredores do congresso,
que os parlamentares que aprovaram a proposta do governo teriam
suas bases eleitorais beneficiadas com recursos do orçamento
que ainda estariam disponíveis. Para ver se isso não
é só boato basta ficar atento aos próximos
recursos noticiados no Diário Oficial da União e
comparar com a lista dos deputados favoráveis ao projeto.
Perguntado sobre se essa precarização é irreversível,
Alves considera que sim, mas que tem que se procurar outro projeto
social que faça com que a economia seja regulada pelos
interesses da classe trabalhadora. Fala-se tanto em Lei
de Responsabilidade Fiscal, por que não se instituir a
Lei da Responsabilidade Social que puna os governos que deixem
o desemprego e a pobreza aumentarem acima de certo patamar? Por
que não punir governos que permitam que o nível
de vida da classe trabalhadora caia e que suas condições
sociais e de vida se precarizem?, idealiza.
| Veja
como votaram os gaúchos no dia 4/12 |
A
favor
Darcísio Perondi (PMDB), Júlio Redecker (PPB),
Luís Carlos Heinze (PPB), Nelson Marchezan (PSDB),
Telmo Kirst (PPB), Yeda Crusius (PSDB).
Contra
Adão Pretto (PT), Airton Dipp (PDT), Alceu Collares
(PDT), Ana Corso (PT), Cezar Schirmer (PMDB), Clóvis
Ilgenfritz (PT), Edir Oliveira (PTB), Enio Bacci (PDT), Esther
Grossi (PT), Ezidio Pinheiro (PSB), Fetter Junior (PPB), Fioravante
(PT), Germano Rigotto (PMDB), Henrique Fontana (PT), Marcos
Rolim (PT), Mendes Ribeiro Filho (PMDB), Nelson Proença
(PPS), Orlando Desconsi (PT), Osmar Terra (PMDB), Osvaldo
Biolchi (PMDB), Paulo José Gouvêa (PL), Paulo
Paim (PT) e Pompeo de Mattos (PDT). |
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