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200
mil cruzaram os braços
Saldo
da greve geral de novembro, apesar da avaliação
positiva dos
Da
Redação
Embora
o saldo da paralisação de 10 de novembro tenha sido
considerado positivo pela Coordenação Unitária dos
Trabalhadores Gaúchos (que reúne CUT, movimento
estudantil, pastorais, MST e partidos políticos de oposição),
a mobilização de trabalhadores ficou longe do que
pode ser considerado uma greve geral. O movimento foi mais que
parcial no Rio Grande do Sul, atingindo apenas alguns setores.
Cerca de 200 mil trabalhadores cruzaram os braços no estado,
segundo a CUT.
A
estratégia de paralisar o transporte coletivo da região metropolitana
fez com que a greve ganhasse fôlego pelo menos até o final da
manhã do dia 10, prejudicando a atividade de alguns bancos públicos.
Além disso, petroleiros, metroviários, trabalhadores da Justiça,
professores estaduais, pequenos produtores rurais e setores
do funcionalismo público estadual, federal e municipal também
aderiram ao movimento de protesto.
Já
se sabia, na véspera do dia 10, que os rodoviários não
parariam. Com isso, os estudantes - a maioria ligados ao Diretório
Central da Ufrgs em conjunto com sindicalistas foram acampar nos
portões das garagens das empresas de ônibus a partir das
3h da manhã. Como resultado, os ônibus não
circularam e muitas pessoas acabaram nem saindo de casa ou utilizando
táxis e lotações para trabalhar.
Na
Carris, por exemplo, não houve incidentes. De acordo com
a estudante Mariane Vargas, foram liberados apenas dois ônibus
da Carris pelos estudantes para que pudesse ser feito o transporte
dos funcionários do HPS (Hospital de Pronto Socorro) por volta
das 4h. Os 1,5 mil funcionários da empresa acabaram aderindo à
paralisação mesmo que a contragosto. "Ninguém
explicou muita coisa para a gente. Foi tudo na pressão
e acho que poderia ser diferente", afirmou o cobrador Dionísio
Junqueira. Ele não negou a justiça da manifestação,
mas disse que preferia estar trabalhando.
Roberto
Roraima, da direção nacional do PT e um dos organizadores
dos piquetes, explicou que a intenção era segurar
a mobilização até o meio-dia. Às 10h, porém,
todos os piquetes já estavam liberando a saída de ônibus
das garagens. À exceção da ausência
de ônibus na capital, tudo o mais parecia normal. Lojas
abertas, escritórios funcionando, paradas de ônibus
vazias. No interior, outras 15 cidades também tiveram o transporte
imobilizado pelos piquetes. Além disso, ocorreu ocupação
de postos pedágios em várias estradas pelos integrantes do MST.
De
acordo com o presidente da CUT, Francisco Vicenti, 31 municípios
tiveram paralisações e realizaram manifestações contra FHC e
o FMI, principal palavra de ordem dos protestos. O sindicalista
destacou as atividades em Pelotas, Ijuí, Erechim e Passo Fundo.
"Foi maior que a greve geral que o estado produziu desde 1996",
avaliou Vicenti.
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Brigada
Militar teve ação preventiva
Outro
fator novo na mobilização do dia 10 foi o comportamento
da Brigada Militar, que não passou de espectadora dos corredores
poloneses, piquetes e interdições de vias públicas promovidas
pelos grevistas. Até mesmo ajudou a organizar o trânsito
da capital para que os cerca de 2 mil manifestantes pudessem
se dirigir a pé dos seus respectivos piquetes até o largo
Glênio Peres, por volta do meio-dia. "Foi a primeira
vez que a Brigada não funcionou como braço armado dos empresários",
comemorou o presidente da CUT, Francisco Vicente.
Um exemplo
emblemático disso foi o aperto de mão demorado e repleto
de saudações entre Raul Carrion, da direção do PcdoB (Partido
Comunista do Brasil) e um dos oficiais da Brigada Militar
no desbloqueio dos portões da empresa de ônibus Sudeste,
em Porto Alegre.
A situação
somente ficou tensa em frente à refinaria Alberto
Pasqualini, em Canoas. Os grevistas fecharam a avenida Getúlio
Vargas, junto aos portões da Petrobrás, que, mesmo assim,
não parou de produzir, segundo Gerson Pires, diretor
de Formação do Sindicato dos Petroleiros.
Os funcionários que entraram antes da meia-noite mantiveram
a máquinas funcionando até o final da paralisação,
que se daria 12 horas depois.
Também
foi a primeira vez que os trabalhadores terceirizados
da Petrobrás (sem estabilidade), que têm salários inferiores
aos concursados, estiveram ao lado dos grevistas, aproveitando para dar início a reivindicações específicas da
categoria. O operador de bombas Carlos Geraldo, empolgado
com a movimentação, não se intimidou com a falta de transporte
coletivo e caminhou vários quilômetros para poder participar do piquete.
A poucos
metros dali, o administrador de empresas André Luis da Silva
reclamava da falta de preparo do policiamento para impedir
manifestações. "Eu acho que a causa dos manifestantes
é justa, mas a forma é equivocada. Não acredito que uma
greve possa mudar alguma coisa, pelo contrário: só atrapalha
a vida das pessoas", disse. André fez parte do engarrafamento de mais de dez quilômetros causado pela barricada
feita pelos petroleiros na BR 116. Ele teve de esperar por
mais de duas horas dentro do carro até sair do local.
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