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Escândalo
envolve ministro e seus assessores
Com o escândalo
das irregularidades no Indesp constatadas em auditoria realizada
pela Procuradoria da República no Intituto Nacional de Desenvolvimento
do Desporto (Indesp), órgão do Ministério dos Esportes e Turismo,
o ministro Rafael Grecca ficou com a cabeça a prêmio. A auditoria
realizada em 1998 pela Secretaria de Controle Interno da Presidência
da República deixou o ministério em maus lençóis. Com isso deu-se
início às investigações no Ministério Público, comandadas pelo
procurador da república Luiz Francisco de Souza a partir de diversas
irregularidades apontadas nesta auditoria, todas elas praticadas
pelos homens de confiança do ministro.
O Indesp deveria
ser responsável pelo credenciamento, autorização e prestação
de contas no que concerne ao funcionamento dos bingos e apresentou
falhas em praticamente todas essas funções, em parte por não
ter estrutura para tal e também por promover o favorecimento
de diversos empresários do setor de bingos ligados a esquemas
mafiosos no Brasil e no exterior.
Na auditoria
foi constatado que o instituto sequer tinha controle sobre o número
de autorizações e credenciamentos de bingos permanentes ou eventuais
expedidos no período investigado pela secretaria. Além disso,
várias autorizações emitidas estariam irregulares, como no caso
da empresa Chance Administradora de Bingos Ltda, conveniada ao
Esporte Clube São José e coordenadora dos sorteios do Toto Bola.
As irregularidades
são várias, começando pelo próprio contrato da empresa com o
clube, que não poderia ser superior a 24 meses. Acabou fixado
em 48 meses, o dobro de prazo. Os prazos de entrega da documentação
deveriam anteceder em 30 dias o primeiro sorteio, mas foi apresentado
apenas 12 dias antes e com certificados inválidos. Mesmo assim
o assistente Jurídico do Indesp, Mauro Thompon, endossou o Certificado
de Autorização Especial antes que a papelada completasse 24 horas
em sua mesa. Segundo o procurador, isso demonstra que a documentação
em momento nenhum foi inspecionada.
Em outra solicitação
realizada pela mesma empresa alguns dias antes, para o funcionamento
de um bingo, apesar do parecer desfavorável de um procurador
do Indesp, o certificado foi emitido sem maiores problemas. Práticas
semelhantes também foram encontradas nas autorizações concedidas
à Confederação Brasileira de Canoagem/ RS, conveniada à Defala
Promoções Eventos e Comércio Ltda e Gold Bingo Recreações Ltda,
conveniada à Federação Gaúcha de Basquete.
Fatos como
esses e o envolvimento no esquema de Luiz Antônio Buffara, então
diretor de Administração e Finanças do Indesp e homem de confiança,
além amigo de infância de Greca, foram os principais motivos
para as dores de cabeça do ministro.
Buffara teria
assinado irregularmente uma autorização favorecendo a Federação
Brasileira de Vela e Motor em agosto do ano passado. O fato ocorreu
durante a ausência do ex-presidente do Indesp, Manoel Tubino.
Grecca declarou à imprensa ter sido enganado pelos assessores.
A desculpa foi suficiente para o presidente mantê-lo do cargo
enquanto lideranças políticas pediam sua cabeça.
O episódio
envolvendo Buffara, entretanto, foi apenas um entre vários, denunciando
a influência da máfia nas autorizações do Indesp. Na primeira
semana de fevereiro o Ministério Público pediu a quebra de sigilo
telefônico e bancário de vários dos envolvidos, incluindo Buffara,
funcionários do Indesp e supostos mafiosos ligados aos bingueiros.
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA), prevendo os respingos
do escândalo à sua sigla, chegou a pedir publicamente que Greca
se afastasse do cargo.
O ministro
recusou e ele próprio ofereceu a quebra de sigilo fiscal, bancário
e telefônico para a investigação. Ele garante que é inocente e,
até o fechamento desta edição, continuava no cargo. Seu ministério,
porém, vem perdendo prestígio junto à presidência e poder de decisão,
inclusive sobre as verbas das comemorações dos 500 anos, que foram
transferidas para o Gabinete do Presidente FHC.
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Esquema
tem rede de empresas
O esquema
dos bingos mobiliza dezenas de empresas em todo o Brasil,
que estão sendo investigadas pelo Ministério Público. Várias
delas têm os mesmos sócios, funcionam nos mesmos endereços
e mantêm negócios entre si numa verdadeira rede de proteção
e de divisão de lucros. A seguir, um resumo das principais
ligações do jogo com a máfia
BINGOMATIC
PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA – um dos sócios é Alejandro de
Viveiros Ortiz, apontado como chefão da máfia do jogo no
Brasil. A empresa tem sócios no Panamá e pertence à espanhola
Recreativos Franco.
RECREATIVOS
FRANCO S.A. – apresenta como donos os espanhóis Jesus Franco
e Joaquim Franco. Criada em 1975, começou a faturar muito
somente em 1997. Apontada como a financiadora das operações
no Brasil.
BETATRONIC
PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA – tem como sócios os italianos
Giuseppe Aronica e Lillo Lauricella, além da família Ortiz.
O procurador era o advogado Tiago Loureiro.
NEVADA
S.A. – a empresa é dos filhos de Ortiz, Alejandro e Johnny.
Foi absorvida por um grupo francês, Peffaco, que hoje detém
cerca de 70% das cotas.
BMT
- BRASIL MÁQUINAS E TECNOLOGIA LTDA – também da família
Ortiz em sociedade com Giuseppe Aronica, funciona no mesmo
endereço da BingoMatic. Aparece como uma subsidiária da
Recreativos Franco.
NEOJUEGOS
ADMINISTRAÇÃO E FOMENTOS LTDA – foi a primeira empresa
a obter certificado como operadora da máquinas eletrônicas
programadas depois de editada a portaria 23. É da família
Ortiz em sociedade com Aronica.
DIMARES
DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS RECREATIVAS LTDA – representante
comercial exclusiva da Recreativos Franco, também tem como
sócios os filhos de Ortiz. Giuseppe Aronica tem 25% do
capital e o representante legal era o advogado Tiago Loureiro.
Distribui as máquinas importadas pela BingoMatic.
STARTEC
LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA – alugava mais
de 1,3 mil caça-níqueis da BingoMatic em São Paulo. Também
comprava e sublocava suas próprias máquinas, entre elas
para a Tecnoturfe.
ASTRO
TURISMO – transformada em Bancotur (Banco Turismo e Câmbio).
Manipula os recursos financeiros do grupo.
DIRECTA
SERVIÇOS ADUANEIROS – também dos Ortiz, servia para liberar
as máquinas caça-níqueis no porto de Santos e nos aeroportos
de Guarulhos (São Paulo) e Viracopos (Campinas).
TECNOTURFE
– empresa supostamente de Tiago Loureiro, que teria comprado
máquinas de caça-níqueis da Startec a partir de 1997. Segundo
a Polícia Fazendária do Rio Grande do Sul, a Tecnoturfe
alugava máquinas de caça-níqueis para bingos de Porto Alegre.
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