|
Crescimento
nem sempre é receita
Ao contrário
do que indicaria a lógica, é pouco provavel que a recuperação
da atividade econômica alimente a arrecadação estadual. Conforme
levantamento feito pela Divisão de Estudos EconômicoTributários
da Secretaria da Fazenda, nos últimos dez anos o PIB (a soma
das riquezas produzidas pelo estado) e a receita pública se
desencontraram. O descolamento entre os índices de um e outro
se deve às peculiaridades da política e administração tributária.
Apesar de
o PIB refletir a produção de mercadorias e serviços a princípio
tributados, nem todo segmento que cresce é taxado à mesma proporção.
Além disso, novidades como a Lei Kandir influenciam resultados.
No Rio Grande do Sul, a agricultura é uma explicação à parte:
uma safra “quebrada” pode resultar em bons preços. Ou o contrário.
No período
de 1990 a 1999, todos os anos registraram desencontros. Em 1996
e 1999 houve uma aproximação, com diferenças inferiores a 2% entre
um e outro. Em 1997, uma situação curiosa, provocada pela sangria
da Lei Kandir: enquanto o PIB cresceu 7,7% no estado, a arrecadação
caiu 7,38%. No ano passado, para um PIB 3,1% maior, a arrecadação
encolheu 1,1%. Se a regra abrir uma exceção em 2000, o governo
do estado talvez possa comemorar bons resultados, já que a economia
promete colaborar. “É a tendência”, diz o economista da Fundação
de Economia e Estatística (FEE) Juarez Meneghetti. Segundo ele,
o cenário é positivo e não estão previstos ajustes que venham
a provocar alterações de curso. Mais uma vez, no entanto, a vocação
primária do estado deverá fazer a diferença: a quebra na safra,
devido à estiagem, ameaça o desempenho do setor agrícola, cujo
crescimento de 11% em 1999 puxou o desempenho do PIB.
|
Relação
PIB X ICMS no Rio Grande do Sul (1990/1999)
|
|
Ano
|
PIB
|
ICMS
|
|
1990
|
-
5,5%
|
6,9%
|
|
1991
|
-
1,5%
|
-
7,2%
|
|
1992
|
9,7%
|
-
5,7%
|
|
1993
|
10,5%
|
-
1,2%
|
|
1994
|
5,4%
|
11,9%
|
|
1995
|
-
4,8%
|
5,3%
|
|
1996
|
1,0%
|
2,9%
|
|
1997
|
7,7%
|
-
7,3%
|
|
1998
|
0%
|
1,6%
|
|
1999
|
3,1%
|
-1,1%
|
|
Fontes:
PIB/FEE; ICMS/DEE-SF
|
|