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Página
dez, nota zero
César
RIcardo Osório*
“Porque
se chamavam homens também se chamavam sonhos e os sonhos não envelhecem...”
O
Estado é a necessidade premente de organização de uma sociedade
dividida em várias classes, ou seja, de categorias sociais com
intenções diferenciadas, cabendo a ele, estabelecer prioridades
através da ação governamental. Mas toda ação governamental deve
ser respaldada por um conceito que define a sua intenção política
e ideológica, para com a sociedade civil, bem como para a sua
própria identidade.
Pode-se
entender como conceito de ação governamental a síntese de uma
visão ideológica e que só é refletida na sua práxis. É a legitimação
do governo junto à Sociedade como um todo. No governo FHC, o paradigma
foi “Avança Brasil”, que tem como linha mestra os ditames do
neoliberalismo e, em especial, do FMI.
A
preocupação com as questões sociais não são prioridades, segundo
declarações do Ministro da Economia, Pedro Malan: “ O social
é objetivo último do governo”, declaração reproduzida na Folha
de São Paulo em 19 de setembro do ano passado, na coluna do Frei
Bento. O Ministro é claro não estava blefando! No mesmo jornal,
Eliane Cantanhêde, expôs em um artigo, números reveladores que
demonstravam que de 1997 para 1998 tinha dobrado o número de estrangeiros
autorizados a trabalhar no Brasil, mas por outro lado triplicado
o número de demissões. Brasileiros marginalizados, estrangeiros
prestigiados. Ou seja, o neoliberalismo chamará isto de xenofobismo,
outros matizes chamarão de exclusão.
Por
outro lado, o atual governador do estado, Olívio Dutra, tem por
opção e objetivo ideológico uma ação respaldada na práxis da
construção cidadã. Entenda-se cidadania não só o direito a voto,
mas de uma vida com dignidade. É, portanto, uma opção de esquerda.
Esta cidadania no conceito de “Governo Popular” se dá no respeito
as diversidades, aos contraditórios, como uma forma de sinalização
da construção da sociedade e dos planos do governo.
Divergir
dos objetivos de um governo, quando outra opção é saudável, construtiva
e sobretudo a própria ação democrática, no que é importante.
Do consenso, apenas espera-se a estagnação, o que é deplorável.
Quando
do governo da Alemanha Nazista, umas das principais armas era
a propaganda, revestida e maquiada, para obter efeitos ilusionistas.
O mentor era Goebbels, onde só se produzia uma única verdade.
A Alemanha era o consenso do progresso e o progresso era o Nazismo.
Passado
meio século dessa sinistra experiência, alguns setores do jornalismo
ainda defendem o consenso. Jornalismo deve ser sobretudo uma
ação informativa, quando opinativa deve ser declarada e não escamoteada.
Portanto,
divergir de um governo é aceitável, mas o achincalhamento pessoal
como forma de jornalismo político, sobretudo, mostrando-se como
se fosse uma discussão política, é impor uma falsa realidade,
é uma atitude dos discípulos de Goebbels.
A
Página Dez do Jornal Zero Hora é uma metralhadora em uma única
direção: a pessoa do governador Olívio Dutra, ou seja, não só
do político, mas do indivíduo que tem atitudes como qualquer
outro dos mortais. Quando o indivíduo e cidadão Olívio Dutra,
veraneava e descansava como qualquer trabalhador, foi alvo do
deboche do jornalista José Barrinuevo, o intocável.
A
Página Dez sempre nos revela o óbvio, com um verniz estigmatizante.
Antiesquerda, que é de seu direito, mas de forma escamoteada,
como uma notícia sem opinião.
O
consenso e a verdade única não se propõem a desafios. Estes emanam
da sociedade civil, que fazem junto com um governo democrático
uma construção constante, um progresso, não apenas tecnológico
e financeiro para as elites, mas social e político para toda a
sociedade.
Portanto,
tanto FHC quanto Olívio devem ter seus projetos políticos e suas
falhas debatidos, mas também conquistas avaliadas e noticiadas,
sem restrições.
“Pois
o meu partido é um coração partido.”
CAZUZA
* César
Ricardo Osório é historiador, professor de História
Os
artigos de opinião são de inteira responsabilidade
dos autores, reproduzem com finalidade os originais recebidos
e não passam por processo de revisão textual, qualquer
ajuste do ponto de vista jornalístico ou das normas técnicas
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