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O osso
duro que ninguém quer largar
O presídio
Central de Porto Alegre (PCPA) é um osso duro de roer mas que,
aparentemente, ninguém despreza, seja por questões políticas,
seja por questões econômicas. No domingo, 18 de junho, a RBS TV
exibiu uma reportagem sobre a atuação da Brigada Militar no Presídio
Central de Porto Alegre, depois que matéria do Extra Classe revelou
como funciona o esquema de negociação e poder dentro da maior
penitenciária do estado. A emissora noticiou que a equipe de reportagem
havia encontrado fitas de vídeo no lixo, contendo material inédito
sobre motins e revistas no interior das galerias.
É difícil
provar que isso não seja a verdade, mas é no mínimo estranho.
Provavelmente as imagens obtidas pela RBS tenham sido gravadas
pela própria Brigada Militar, já que esses registros são comuns
e usualmente aproveitados para identificação dos amotinados durante
as ações das revistas. E, além do mais, é fácil perceber que o
autor das imagens está lado a lado com os outros policiais militares.
Apenas os soldados têm acesso aos ângulos de câmera divulgados
na matéria.
A reportagem
também encerra dizendo que só não há motins no presídio, desde
1998, porque a BM negocia diretamente com os presos. A informação
causa profundo desconforto institucional na Susepe, órgão responsável
pelos presídios. Seria mais uma peça no jogo de desestabilização
da Secretaria de Segurança Pública? Quem ganha com isso? Analisando
os fatos, é possível perceber que a Brigada Militar teria o maior
interesse em fazer essas informações chegarem às mãos da RBS.
Não que as tais negociações com os presos não tenham surtido efeito.
É fato que, apesar de ser uma bomba relógio, apenas casos isolados
têm afetado a rotina do presídio. Ora, mas também é fato que algumas
penitenciárias do estado, inclusive o PCPA, estão sob tutela da
BM (de forma inconstitucional). Que deve perder a prerrogativa
quando os novos agentes penitenciários assumirem seus postos.
Com isso, não só o efetivo dos brigadianos que atuam no PCPA,
mas também os oficiais, terão uma redução considerável nos seus
rendimentos.
Por outro
lado, conforme a Susepe, os novos agentes penitenciários estão
sendo treinados sob orientação mais cidadã do que seus precedentes
e tendo priorizados aspectos dos direitos humanos. Mas nem presos
nem soldados parece que desejam uma administração menos militarizada,
baseada nos princípios modernos de gestão. Para tanto, já iniciaram
campanha contra a saída da BM do presídio.
Não parece
a melhor saída para o problema. Uma estrutura militar no presídio
apenas aumenta a tensão e, como mostramos na reportagem, cria
um conluio inevitável entre soldados despreparados para a O presídio
Central de Porto Alegre (PCPA) é um osso duro de roer mas que,
aparentemente, ninguém despreza, seja por questões políticas,
seja por questões econômicas.
No domingo,
18 de junho, a RBS TV exibiu uma reportagem sobre a atuação da
Brigada Militar no Presídio Central de Porto Alegre, depois que
matéria do Extra Classe revelou como funciona o esquema de negociação
e poder dentro da maior penitenciária do estado. A emissora noticiou
que a equipe de reportagem havia encontrado fitas de vídeo no
lixo, contendo material inédito sobre motins e revistas no interior
das galerias. É difícil provar que isso não seja a verdade, mas
é no mínimo estranho. Provavelmente as imagens obtidas pela RBS
tenham sido gravadas pela própria Brigada Militar, já que esses
registros são comuns e usualmente aproveitados para identificação
dos amotinados durante as ações das revistas. E, além do mais,
é fácil perceber que o autor das imagens está lado a lado com
os outros policiais militares. Apenas os soldados têm acesso aos
ângulos de câmera divulgados na matéria.
A reportagem
também encerra dizendo que só não há motins no presídio, desde
1998, porque a BM negocia diretamente com os presos. A informação
causa profundo desconforto institucional na Susepe, órgão responsável
pelos presídios. Seria mais uma peça no jogo de desestabilização
da Secretaria de Segurança Pública? Quem ganha com isso? Analisando
os fatos, é possível perceber que a Brigada Militar teria o maior
interesse em fazer essas informações chegarem às mãos da RBS.
Não que as tais negociações com os presos não tenham surtido efeito.
É fato que, apesar de ser uma bomba relógio, apenas casos isolados
têm afetado a rotina do presídio. Ora, mas também é fato que algumas
penitenciárias do estado, inclusive o PCPA, estão sob tutela da
BM (de forma inconstitucional). Que deve perder a prerrogativa
quando os novos agentes penitenciários assumirem seus postos.
Com isso, não só o efetivo dos brigadianos que atuam no PCPA,
mas também os oficiais, terão uma redução considerável nos seus
rendimentos.
Por outro
lado, conforme a Susepe, os novos agentes penitenciários estão
sendo treinados sob orientação mais cidadã do que seus precedentes
e tendo priorizados aspectos dos direitos humanos. Mas nem presos
nem soldados parece que desejam uma administração menos militarizada,
baseada nos princípios modernos de gestão. Para tanto, já iniciaram
campanha contra a saída da BM do presídio. Não parece a melhor
saída para o problema. Uma estrutura militar no presídio apenas
aumenta a tensão e, como mostramos na reportagem, cria um conluio
inevitável entre soldados despreparados para a missão e apenados
que não têm muito a perder e sonham com uma fuga diariamente.
Não deve haver disputa entre administradores e presos, mas convivência
e tolerância.
A questão
maior, no entanto, nem é essa, mas a superlotação de um local
que abrigaria 600 pessoas e hoje confina mais de 2,2 mil homens.
Alguns bem perigosos. Resolvido esse problema, que é mais social
que outra coisa, e já poderíamos respirar mais aliviados.
O Editor
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