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Itapuã
será referência em educação ecológica

Fotos: René Cabrales
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A Divisão
de Conservação do Departamento de Recursos Naturais Renováveis
(DRNR) do Estado pretende reabrir o Parque Estadual de Itapuã,
em Viamão, na primavera e transformá-lo em referência na área
de educação ambiental. Fechado à visitação pública desde 1991
por não possuir a infra-estrutura necessária, voltará a receber
visitantes dentro desta nova proposta. Para a diretora do Itapuã,
Jane Vasconcelos o maior desafio é justamente, em se tratando
de uma área de conservação, conseguir equacionar todos os objetivos,
que vão da preservação dos ecossistemas até projetos de educação,
pesquisa e visitação. Para que o último não interfira nos demais,
haverá limites nas áreas de acesso público e o número de visitantes
nunca excederá 1.400 pessoas/dia. Mas para quem pensa que o lugar
vai voltar a ser um balneário, melhor esquecer. “O objetivo do
Parque agora é outro: educar e conscientizar as pessoas de um
ponto de vista ecológico”, afirma Jane.

Fotos: René Cabrales
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A primeira
iniciativa foi a criação de uma rede utilizando 10 escolas municipais
e estaduais da região. São elas que estão construindo o Programa
de Educação Ambiental do Parque. “Queremos ter atividades diversas
e com participação ativa da comunidade. Não existe uma proposta
fechada”, justifica a coordenadora. Além disso, ela garante que
está sendo realizado um trabalho com os diversos setores da comunidade
para que haja maior inserção dos cidadãos locais, já que até então
a conservação se restringia ao policiamento e pouco se trabalhou
a conscientização tanto dos moradores como dos visitantes. O objetivo
é que exista estrutura fora do parque para comportar o excedente
de público que ficará inevitavelmente do lado de fora. Para se
ter uma idéia apenas 300 pessoas poderão visitar de uma só vez
as praias da Pedreira e das Pombas e 700 a Praia de Fora.
A discussão
nas reuniões promovidas pelo pessoal do parque e membros da comunidade
passa por uma questão de fundo que é o tipo de desenvolvimento
que Itapuã quer, se é de repetir as grandes estruturas urbanas
ou manter as características do lugar e se voltar para o turismo
ecológico. Para Rosângela Carrano Nunes, 35 anos, moradora do
local e secretária da Cooperativa de Trabalho Produção e Consumo,
é importante que a comunidade participe do processo para que o
desenvolvimento local não se suceda à base de exclusões. Por isso,
está sendo criado um conselho com integrantes da comunidade que
deverá atuar trocando informações com a administração do parque.
O grupo se reúne com a administração do parque semanalmente. “Queremos
funcionar como um elemento multiplicador de informação na sociedade.
Teremos de estar bem preparados para que o excedente de pessoas
que ficarão no entorno não depredem o local e a sua permanência
esteja dentro dos objetivos de conservação”, garante a moradora.

Fotos: René Cabrales
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Ao ser criado
em 1973 o parque possuía um caráter exclusivamente turístico e
passou a ser administrado por uma série de instituições que acabaram
por nunca levar a cabo os projetos estruturais, que previam até
a implantação de teleféricos e hotéis. “Graças a Deus nada disso
se consolidou”, diz Jane aliviada. Com o abandono vieram as invasões.
Em um determinado momento chegou a ter 800 casas de veraneio no
local. Mas foi só em 1991 que o Governo do Estado conseguiu na
Justiça a retirada destas casas e transformou o local em unidade
de preservação, abandonando definitivamente seu caráter turístico.
Foi aí que DRNR assumiu a administração, ampliando também os limites
do parque, que passou a incluir também o local conhecido por Lagoa
Negra. São mais de 5 mil hectares.
Quanto ao
acesso, apenas três locais poderão receber o público comum: praia
das Pombas, Pedreira e de Fora, que compreendem as zonas de uso
intensivo, de acordo com a convenção do plano de manejo – funciona
como um regulamento interno. A região que fica em torno da Lagoa
Negra e Lagoa do Meio em parte é considerada Zona Intangível,
com uso apenas para conservação sem acesso público e a Primitiva,
onde serão permitidas trilhas acompanhadas para estudantes e pesquisadores.
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