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Boi verde exige sistema
cooperativado de produção
Foto:
René Cabrales

O
bife ecológico gaúcho terá certificação
internacional para avalizar o produto |
O
boi ecológico alimenta a fome de lucros dos produtores,
mas o sistema também tem desvantagens. A primeira delas
é a redução em 30% da produtividade.
O arsenal químico hoje disponível que
inclui a utilização de herbicidas, vermífugos,
hormônios e antibióticos mantém
o gado livre de doenças e apressa o abate do rebanho.
Estamos levando o animal para o frigorífico com
14 ou 15 meses de idade. No novo sistema, teremos que esperar
pelo menos até ele completar dois |
anos, diz
Zago, do Sindicato de Bagé.É evidente que um
controle natural tem menor eficiência no curto prazo. Mas
o preço de comercialização compensa.,
afirma Collares, da Embrapa. A sociedade chegou a uma encruzilhada.
Precisa escolher se quer rapidez no abate ou produtos de maior qualidade,
acrescenta o técnico.
Algumas
dificuldades se colocam a nossos pecuaristas ecológicos.
Uma é de natureza subjetiva e tem a ver com o temperamento
individualista do produtor. O gaúcho é meio
arisco. Não gosta de parcerias. Mas, para viabilizar o
projeto, ele terá que trabalhar em conjunto com os outros
produtores e também com os frigoríficos, que precisarão
comprovar sua assepsia, diz o engenheiro agrônomo
Gonçalves. O sistema cooperativo é necessário
para dividir os custos da monitoração feita pelos
técnicos da Skal em toda a cadeia produtiva. O projeto
do boi ecológico é excelente, mas não é
para cabeças fracas. É uma chance de sair da mesmice
e não ficar na mão dos frigoríficos, que
ditam o preço do mercado, adverte Gonçalves.
A mudança do modelo, por isso, depende da conscientização
dos pecuaristas e leva tempo para ser concretizada. O produtor
que não recebe a informação adequada termina
gastando muito dinheiro para produzir uma carne problemática.
O gado chega ao frigorífico com fígado e pâncreas
estourados, de tanto consumir produtos químicos,
afirma ele. Outra dificuldade para a implantação
do projeto é bem objetiva. Cada produtor terá que
desembolsar US$ 300/ano para pagar os técnicos holandeses.
O
ecologista José Lutzenberger um dos pioneiros do
movimento ambientalista, do qual recebeu críticas ao ocupar
o cargo de ministro do Meio Ambiente no governo de Fernando Collor
aprova a iniciativa dos pecuaristas e lembra que, graças
a seus costumes e sistema de produção, a paisagem
do pampa não foi destruída. Mas teme pela lucratividade
dos produtores e lamenta que a carne ecológica seja destinada
apenas à exportação. A proposta do
boi ecológico é boa, mas é preciso verificar
se, no final das contas, ela não acabará beneficiando
só as grandes empresas do agrobusiness, que dominam o mercado
internacional. E é uma pena que, em vez de alimentar nosso
povo, a carne sem veneno esteja sendo dirigida exclusivamente
ao estrangeiro. O consumidor brasileiro, mais uma vez, ficará
com água na boca.
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