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O
narcisismo e a falsa diferença
Foto: René Cabrales
"Ninguém
mais está contente. E a ideologia dominante já não
convence ninguém de que este é o melhor dos mundos".
(Luiz Roberto Lopes, historiador)
Esse
isolamento entre poder e sociedade pode também ser traduzido
no dia-a-dia, nas relações interpessoais, nos apelos
do consumo, da mídia, de uma liberdade de opção
que se restringe a escolher um produto na vitrine - se tiver dinheiro
para comprar, é claro. "Se exalta o individualismo
via narcisismo para quem tem poder de consumo. Fazem do indivíduo
uma forma de exibição. Cada vez mais as pessoas
são estimuladas a serem diferentes por fora e iguais por
dentro. Há uma estandartização dos sentimentos.
A chamada interatividade personalizou tudo: é a internet,
o walkman, o videogame. E o senso do coletivo, nisso tudo, fica
perdido", atesta Lopes.
Grandes discussões sobre o fim das utopias, o dejá
vu dos grandes projetos sociais têm esbarrado num profundo
dilema entre a realidade vivida e sua representação
pela mídia, pelo turbilhão de informações,
pela substituição das relações pessoais
pelo mundo virtual dos e-mails e sinfonias silenciosas de isolamento
(tele-serviços, tele-sexo, visitas virtuais pela internet).
Uma realidade que talvez trace um cotidiano de pequenos suicídios.
Algo que Jean Baudrillaird chama de "banalidade mortífera",
num artigo publicado no jornal Folha de São Paulo: "Toda
a realidade se tornou experimental. Na ausência de destino,
o homem moderno está entregue a uma experimentação
sem limites sobre si mesmo".
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