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A cultura
da autodestruição
Se o individualismo
nunca esteve tão em alta, também nunca se ouviu falar
de tantas iniciativas que partiram de motivações individuais
e que resultaram em grandes ações em áreas
específicas como educação e saúde. Algumas
contribuíram, inclusive, para a formação de
ONGs e outros agrupamentos. Parte dessas iniciativas foi "motivada"
por um fato trágico e particular. É o caso, por exemplo
da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, de Porto Alegre.
Essa ONG nasceu no dia 20 de maio de 1996 - um ano depois da morte
do próprio Thiago num acidente de trânsito. A tragédia
que mudou a vida dos pais de Thiago, Diza e Régis Gonzaga,
se transformou em ação. Diza, arquiteta, resolveu
vasculhar o que estava por trás do que acabou vitimando o
filho. Encontrou o que ela chama "cultura do herói".
"Os jovens estão sem uma bandeira, desencantados, com
uma cultura auto-destrutiva", afirma. O automóvel é
apresentado como poder.
Foi desenvolvendo um trabalho para combater essa "cultura"
que surgiu a Fundação e uma série de iniciativas.
O primeiro ato foi um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas entregue
ao então Ministro da Justiça Nelson Jobim para aprovar
o novo Código Nacional de Trânsito. Outro, foi o Exército
de Sonhos, uma peça teatral que já percorreu mais
de 400 escolas, tentando desmistificar a chamada "cultura do
herói". É o cotidiano de quatro jovens que se
acham imortais. Por trás dessa peça há um movimento
que vem se alastrando por 150 cidades brasileiras chamado Vida Urgente.
Diza e Régis Gonzaga, pais de Thiago, não criaram
um movimento para prevenir acidentes, nem para substituir atribuições
de quem tem de fiscalizar isso. "Nosso movimento é pela
vida", explica Diza. Porque a perda de Thiago é mais
uma morte anunciada, propagandeada por quem vende imprudência
como quem oferta sabonetes. O desabafo do professor Régis
Gonzaga é taxativo: "Cobro também do Ministro
da Justiça, homem íntegro e sensível, que proíba
através de decreto a veiculação de publicidade
celebrando a velocidade de novos modelos de automóveis nacionais
e importados. Ela infringe a lei, Sr. Ministro, e induz ao crime".
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