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O
vaga-lume e a metáfora da luz
A alegria de um menino que vê, pela primeira vez, o brilho
dos vaga-lumes no pátio de casa em contraponto com a luz
esmaecida dos olhos dos pais, que discutem o futuro da relação.
Essa é a primeira das metáforas sugeridas pelo curta-metragem
Vaga-lume, realização da Plongèe Cinema, dirigido
pelo cineasta gaúcho Gilson Vargas, que tem pré-estréia
agendada para este mês em Porto Alegre. O filme resgata as
lembranças da infância de um iluminador de teatro,
que recorda a primeira vez que viu um vagalume. O menino descobre
essa luz especial da natureza, enquanto os pais têm a luz
dos olhos, do amor, morrendo aos poucos., conta Vargas.
Ana Esteves
jogo
com as representações da luz também aparece
no momento em que o menino aprisiona e sufoca os vaga-lumes, passando
a idéia da luz/amor aprisionada que se apaga. Aqui
está representada a questão da liberdade, com duas
leituras distintas: uma sugerindo a libertação dos
vaga-lumes e outra ressaltando a liberdade individual. Nesse momento
o filme remete para a crise do casal, também sufocado pela
relação, explica o diretor. Conforme Vargas,
apesar da aura infantil que aparenta predominar, trata-se de uma
produção com densidade dramática acentuada.
Sobre o processo de produção, ele destaca alguns pontos
curiosos: Tivemos uma parte de produção de campo
para a coleta de vaga-lumes, que foram isolados numa estufa a 21
graus. Eles eram alimentados diariamente e monitorados por um pesquisador
da UFRGS. Outra parte dos insetos foi produzida virtualmente,
contou. Segundo ele, entre o processo de pré-produção,
filmagem e finalização, o filme, cujo elenco é
formado por Sérgio Etchychuri, Nelson Diniz, Vanise Carneiro
e Rafael Serres, levou nove meses para ser finalizado.
| Fotos
Divulgação |
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O
curta-metragem terá sua estréia no
30º Festival de Gramado
Cinema Brasileiro e Latino
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A estréia oficial ocorrerá durante o 30º Festival
de Gramado Cinema Brasileiro e Latino, em que o filme concorre na
categoria de melhor curta 35mm. O projeto, cujo roteiro foi escrito
há dois anos, foi selecionado pelo Fundo Municipal de Apoio
à Produção Artística e Cultural (Fumproarte)
no primeiro semestre de 2001. Ficamos entre os primeiros colocados
de todas as áreas culturais premiadas pelo Fundo, orgulha-se
Vargas. Além do apoio financeiro do Fumproarte, o filme contou
com apoiadores como o Sinpro/RS, Sindicato dos Trabalhadores da
Saúde, Trabalho e Previdência (Sindisprev/RS) e o Sindicato
dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado (Sintrajufe).
Os apoiadores são fundamentais, pois é indispensável
somar esforços para realizar cultura, que é o alimento
para a alma, declarou o diretor.
Sobre a situação dos curtas no meio cinematográfico,
Vargas é bem otimista. Os curtas têm tido cada
vez mais espaço, em emissoras de TV e através de projetos
como o Curta nas Telas, além do que, os filmes gaúchos
têm ótima aceitação em festivais pelo
país e também na Europa e nos Estados Unidos. Hoje,
em muitas situações, os curtas têm mais procura
do que muitos longas gaúchos, sem falar que o mercado de
longas é muito competitivo e o curta chega ao público
mais facilmente. Ainda temos dificuldades, mas o espaço está
um pouco maior. As pessoas vivem num corre-corre e por isso o formato
diferenciado do curta tem conquistado cada vez mais seu espaço,
avalia.
Após a estréia em Gramado, Vaga-lume pega a estrada
para participar de diversos festivais pelo Brasil e exterior. O
terceiro passo será a exibição em projetos
como o Curta Petrobrás e o Curta nas Telas e a última
etapa será a exibição na TV, destacou
o diretor. A direção de fotografia é de Sadil
Breda, direção de arte, Iara Noemi e Gilson Vargas.
A trilha sonora é de Fernando Basso e a música tema
Pois é, de Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim.
Quem
é Gilson Vargas
O
cineasta Gilson Vargas começou a carreira há
10 anos, quando o cinema gaúcho ainda era incipiente
e a produção de filmes nacional foi travada
com a extinção da Embrafilme. Produzir
cinema na época era um ato heróico e,
em função disso, produzi muito material
em vídeo, comerciais para a TV, documentários,
vídeoclipes. A produção em
película recomeçou para valer em meados
de 97, com o processo de retomada do cinema brasileiro,
marcado pela produção do longa Carlota
Joaquina, de Carla Camurati. Foi nesse período
que Gilson estreou com o média metragem Até,
vencedor do Prêmio Assembléia Legislativa
de melhor filme, no 27º Festival de Gramado Cinema
Brasileiro e Latino. Depois disso, ele filmou o curta
35mm Quem, que recebeu o Tatu de Prata de
melhor direção na 26ª Jornada de
Cinema da Bahia. A película também rendeu
prêmios de melhor ator para Júlio Andrade,
melhor atriz para Araci Esteves e melhor fotografia
no 1º Prêmio APTC de Cinema Gaúcho,
realizado em 2000. Quem também foi
escolhido melhor filme pelo Júri de Internet
do Cine 8, prêmio paralelo ao APTC. |
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