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E
lá se vão dez, vinte anos...
E lá se vão
dez anos desde a eleição do todo-poderoso Fernando Collor de Mello,
na primeira eleição direta da República depois dos anos de arbítrio
da ditadura militar. Não foi uma eleição simples, comum, como
poderia se esperar após quase 30 anos de silêncio. Não.
Foi uma eleição
difícil, marcada pelos vícios de um imprensa comprometida e parcial,
mas foi mais que isso. Naquele pleito, o Brasil escolheu um rumo
e está trilhando esse caminho até hoje. A opção da política econômica
adotada por Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique está aí,
completando dez anos. Há motivos para comemorar? Foi pensando
nisso que a equipe do Extra Classe decidiu abordar a questão em
uma reportagem de fôlego, que desse ao leitor uma visão crítica
desse período mas também informasse o que os condutores dessa
política usam como argumento para defender indicadores tão desastrosos,
como mais de 3 milhões de desempregados em apenas sete regiões
metropolitanas do país. A reportagem, assinada pelo jornalista
César Fraga, é capa desta edição.
Estão lá os
últimos cinco anos de estabilidade econômica, depois dos vendavais
inflacionários de Collor. Estão lá os importados, os planos econômicos
frustrados. Os desempregados, a inflação de Itamar Franco, o Plano
Real do mesmo Itamar e a ascenção (ainda sem queda) do presidente
Fernando Henrique. Os números, um dos pontos altos da reportagem,
não nos deixam enganar: houve progressos, é verdade, mas o preço
pago pela globalização é dificil de aceitar e está sendo pago
por quem já deu, em outras oportunidades, sua cota de sacrifício
pelo desenvolvimento do país.
Em outra reportagem,
o Extra Classe resgata a história dos primeiros acampamentos de
sem-terra no estado. As ocupações em Encruzilhada Natalino completam
20 anos em 1999 e coube à repórter Marcia Camarano e ao fotógrafo
René Cabrales o mergulho na experiência bem sucedida das cooperativas
agrícolas da região de Ronda Alta, no norte do Rio Grande do Sul.
Os dois jornalistas
comprovaram de perto o que um processo bem planejado pode resultar
em benefícios para centenas de famílias. De acampados em beiras
de estrada, os agricultores de Ronda Alta passaram a produtores
rurais com acesso a bens de consumo comuns nas casas de classe
média das grandes cidades. O segredo deles é simples e nem é segredo:
associação e solidariedade. Prova de que a reforma agrária pode
dar certo, sim. Basta apoio, organização e, sobretudo, vontade
política. O registro ocupa duas páginas desta edição do Extra
Classe.
O Editor
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