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Não
era para ficar melhor?
Alguém
ainda lembra da trapalhada que resultou no maior apagão da história
brasileira, em janeiro deste ano? Pois não contente com aquele
fiasco (a culpa foi do raio!), o governo protagonizou mais uma
palhaçada na mudança do sistema de discagem à distância da telefonia
fixa. Foi num fim de semana. Foi de madrugada. Foi alardeado como
a oitava maravilha do mundo. E deu tudo errado. Quatro dias depois
da troca, apenas uma de cada três ligações interurbanas foram
completadas pelos usuários. Em plena troca, esse índice havia
caído para uma ligação completada para quatro tentativas. Os prejuízos
foram enormes. Além do transtorno, houve perda de receita para
empresas que operam basicamente com telefone. Entre elas hotéis,
operadoras de turismo, companhias aéreas, empresas exportadoras
e importadoras, enfim, a maioria do sistema produtivo nacional.
Ao caos, o governo reagiu com a apatia de sempre. E recomendou
aos lesados (eu, você, todos nós) que ingressem na Justiça para
pedir indenização.
Sacada
da Embratel
Mas
o assunto não se encerrou aí. A Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), criada especialmente para fiscalizar o setor recentemente
privatizado, se fez de morta e deixou o barco correr. Só depois
de consolidado o caos é que o presidente da agência, Renato Guerreiro,
veio a público lamentar a confusão e avisar que os problemas já
eram esperados devido à complexidade da mudança. Ameaçou multar
as operadoras com falhas (todas!) e botou a culpa no usuário,
que não soube assimilar o novo sistema. Não é verdade. O que está
por trás da mudança é uma guerra por mercado que tem tudo a ver
com a privatização do sistema. O foco central é a Embratel, que
com o novo modelo teve acesso às ligações entre telefones de um
mesmo estado por meio do código 21. Em média, cerca de 60% das
chamadas telefônicas são feitas dentro do mesmo estado. Ora, isso
significa uma montanha de dinheiro ao qual a Embratel (comprada
pelos americanos no ano passado) não tinha acesso. Isso talvez
explique a falta de testes antes da entrada em operação do novo
modelo e a pressa com que houve a mudança. O que fazer agora?
As delegacias de consumidores recomendam que os clientes recorram
à Justiça para pedir indenização. Mesmo sem provas. O que parece
muito para quem já fica a ver navios todo santo dia.
Veneno
Ainda
repercute a rapidez com que a Ford decidiu se instalar na Bahia
- depois de desistir do Rio Grande do Sul - e a agilidade com
que o Congresso (controlado por ACM) aprovou uma medida provisória
prorrogando benefícios à montadora baseados no regime automotivo
que havia expirado em 1997. Além dos incentivos fiscais, que valerão
até 2010, a montadora também receberá R$ 700 milhões do BNDES.
Fernando Henrique, cauteloso com a repercussão do caso, pode até
vetar a MP. Mas corre o risco de ganhar - para sempre - a inimizade
de ACM. O que, para todos aqueles que já a provaram um dia, soa
com sabor amargo demais para qualquer um.
Carestia
Porto
Alegre tanto fez que finalmente assumiu o ranking de capital com
a cesta básica mais cara do país. Foi em junho. Os 13 produtos
da cesta custaram aos nobres moradores da metrópole do pôr-do-sol
R$ 106,68 ou 85% do que vale um salário mínimo. É muito se a cesta
for comparada ao mínimo, mas nem tanto assim se pensarmos que
o salário também está muito abaixo das necessidades do trabalhador.
Cálculos do Dieese indicam que mínimo necessário para uma família
de quatro pessoas é de R$ 896. Quando o salário médio pago no
Rio Grande do Sul - para quem ainda não perdeu o emprego, bem
entendido - não chega a R$ 600.
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Desemprego
RMPA/DIEESE
Sinal
dos tempos: em plena globalização, o desemprego
quase dobrou em Porto Alegre nos últimos dez anos.
Passou de 10% para 18% da população economicamente
ativa. Ué? Não era pra ser melhor?
1985.............................12,2%
1990.............................10,3%
1995.............................13,2%
1999............................18,3%*
*Até
abril
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