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Uma situação
delicada
É
possível dizer, sem exagero, que o sistema de segurança pública
do Rio Grande do Sul vive um momento extremamente delicado. E
isso por duas razões básicas: a primeira delas é de ordem administrativa.
Passados quase 18 meses da posse do atual secretário, as principais
demandas da sociedade não foram resolvidas nem, por outro lado,
encaminhadas como gostaria a população. É louvável a intenção
de desmilitarizar a Polícia Militar, de dotar o sistema de uma
única administração, de procurar – por todos os meios disponíveis
– varrer dos quadros a corrupção que contamina as ações de defesa
do cidadão. Mas isso não apaga as estatísticas de violência no
estado, que continuam a crescer. Certo também que a violência
tem origem social, que a falta de emprego e de condições dignas
de vida empurra para a marginalidade cidadãos que poderiam estar
produzindo. E que o impacto de decisões nessa área deve ser creditada
prioritariamente ao governo central. Mas a população que anda
nas ruas, que sai de casa de manhã para trabalhar quer ver policiais
nas ruas, sejam eles vinculados à Brigada Militar ou à Polícia
Civil. Essa mesma população quer policiais honestos, que respeitem
a cidadania, que seja um servidor da comunidade. Não um agente
de decisões políticas que não estejam diretamente ligadas ao exercício
da profissão. E aí vem o segundo problema da segurança pública
gaúcha. Denúncias vinculadas em grandes veículos de comunicação
apontam membros do aparato de segurança como agentes políticos
de uma história que ainda precisa ser contada. Movimentos sociais
não devem ser alvo de atos repressivos violentos, mas igualmente
não podem ser direcionados para a destruição de patrimônios públicos
ou privados. Sejam eles de quem forem. A suspeita que recai sobre
dois policiais militares e uma policial civil no referido episódio,
das comemorações dos 500 do Brasil, precisa ser apurada. Sob pena
de colocar sob suspeita o trabalho de uma equipe inteira, que
deve estar a serviço da comunidade. E não de causas específicas,
estejam elas identificadas com o governo ou não. No campo, o clima
não é muito melhor. Cerca de 2 mil trabalhadores rurais se reuniram
no último fim de semana de maio, em Ronda Alta, para reivindicar
condições melhores de plantio e posse da terra. Notem bem: não
foram trabalhadores sem-terra que se reuniram em Ronda Alta, mas
trabalhadores donos de um pedaço de chão. Eles temem não conservar
esse quinhão caso a política agrícola do país continue como está:
concentradora, de exclusão, penalizadora dos pequenos agricultores.
Longe de fazer uma pregação meramente socialista, os trabalhadores
rurais querem juros mais baixos, querem financiamento, querem
acesso à tecnologia, querem condições de trabalho para dar comida
aos seus filhos e à população. Organizados no Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA), eles já se alastram por sete estados, reúnem
cerca de 200 mil filiados e prometem fazer ainda mais barulho
para pressionar o governo a alterar, de forma radical, sua política
agrícola. Inspirados no MST.
O Editor
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