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Crises
Não bastassem
as crises nacionais, as dificuldades econômicas dos vizinhos argentinos
também prometem afetar os setores produtivos brasileiros. Leia-se
aí nível de emprego na indústria de transformação. Maior importador
de produtos manufaturados, o corte tende a reduzir as vendas de
manufaturados brasileiros com destaque para autopeças, veículos
e eletroeletrônicos em geral. Recessivo, o pacote prevê cortes
nos salários de servidores federais e aumento de juros. É mais
uma tentativa de manter a paridade de um para um entre peso e
dólar, sustentáculo – há quase uma década – da estabilidade argentina.
Mais uma vez os escolhidos para pagar a conta são os trabalhadores:
boa parte dos especialistas ouvidos sobre o pacote argentino não
têm dúvida que o nível de emprego vai cair ainda mais na vizinha
Argentina.
Dá-lhe,
Chico
Chico Buarque
vetou a utilização de qualquer obra sua na Expo 2000, que se realiza
em Hannover (Alemanha), que começou no dia 1o de junho. O compositor
justificou sua decisão dizendo que não pretende ver seu trabalho
vinculado em qualquer nível ao governo federal. O pavilhão brasileiro
é coordenado pelo filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso,
e custou R$ 13, 7 milhões. A música “O que será?” deveria ser
usada num filme promocional produzido especialmente para o evento.
O filme As Cidades, que apresenta show e entrevistas de Chico,
também está fora da programação de Hannover
Operação
Condor em documentos
Passou praticamente
despercebido, pelas recentes matérias jornalísticas, um documento
datado de outubro de 1975 e que apresenta um convite para a primeira
reunião de trabalho da famosa Operação Condor – que uniu os aparatos
repressivos do Brasil Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai nos
anos 70. O documento é um dos tantos das cinco toneladas de papéis
guardados em Assunção e abertos em 1992, mas que até agora foram
parcamente consultados por razões óbvias.
A professora
Sinara Fajardo foi uma das pessoas que manuseou os documentos,
cercada por metralhadoras e por não mais que quatro dias. A pressão
é tamanha que nem mesmo autoridades diplomáticas, políticos ou
pesquisadores podem olhar os textos com liberdade. Sinara anexou
o documento à sua tese de mestrado, que discorre sobre espionagem
política no Rio Grande do Sul.
O documento
é bem claro: apresenta os fundamentos do que era então considerado
subversão, propõe uma ação conjunta dos países citados e apresenta
até mesmo instruções para mensagens cifradas (em código) dos participantes.
O convite foi feito pelo governo chileno e é a prova mais contundente
recolhida até agora da Operação Condor, ainda que este nome não
tenha sido citado jamais em qualquer documento oficial emitido
pelos países envolvidos.
Outro texto
também aparece como prova cabal da existência de colaboração.
Trata-se da apresentação da IV Conferência Bilateral de Informações
entre os Exércitos do Brasil e do Paraguai, datado de 24 de julho
de 1976. Como dá a entender, os dois exércitos realizavam encontros
periódicos para avaliar as ações terroristas. Na IV Conferência,
estaria em debate o período de novembro de 1974 até a data da
reunião.
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