|

Paris, ó
Paris
Nei
Lisboa
Morram de
inveja: estou embarcando para uma temporada de um mês na Europa,
incluindo a semana decisiva de Roland Garros, quando espero encontrar
o Guga em algum boulevard de Paris para um chopinho de comemoração
da vitória. Não bastasse, vou também fazer um show na Universidade
de Saint-Denis (acompanhado do Paulinho Supekóvia e do Luiz Mauro
na guitarra e teclados) e lançar pela editora L’Harmattan a tradução
francesa do meu livro “Um morto pula a janela”, agora batizado
de “Un cadavre saute par la fenêtre”. Coisa muita fina e inédita,
para este bucólico e tradicional bonfiniano.
Sinceramente,
acho que já estava pra lá da hora. Para alguém que faz letras
de música falando em Paris e em Berlim, sempre é recomendável
cruzar o oceano e saber ao vivo do que é que se está falando,
afinal. Então não poupei esforços, deixo pra trás casa, cachorro
e uma conta bancária limpinha em troca de arejar as idéias e de
brincar de correspondente internacional – a próxima crônica devo
mandar de Roma ou de Lisboa, ainda não decidi, baby. Talvez Veneza.
Talvez Ibiza. Morra de inveja.
A única areia
nesse sapatinho é que não falo uma palavra sequer de francês.
Tampouco falo italiano ou alemão, e só o inglês poderia me salvar.
Mas dizem da França que não é muito chegada ao idioma dos (e aos
próprios) norte-americanos. Corro o risco, então, de ser confundido
– branquela e quatro-olhos, um guia de viagem embaixo do braço,
perguntando em inglês onde fica a Torre Eiffel – com um caixeiro-viajante
do interior do Missouri e de ser tratado como tal, caipira imperialista
em férias. “Ianque, go home”, era o que me faltava escutar a essa
altura da vida. Ou, pior ainda, algum xingamento na língua nativa
do qual eu não vou entender patavina, sendo obrigado a esboçar
um sorriso e um “merci” por mais que estejam dizendo horrores
da minha família.
Que dilema,
que dilema. Vou tentar atenuar esse sofrimento passeando um pouquinho
por Londres, também. Aliás, passeando já estou, há dois meses
debruçado sobre mapas, horários e preços de trens, investigando
diárias de hotéis meia-estrela, pesquisando na internet o preço
de um sanduíche em Paris, de um maço de Malrboro em Madrid. Nem
precisam morrer tanto de inveja, que o orçamento é curtinho, curtinho.
Pra nós, os não-emergentes, uma viagem dessas pode ser a única
em toda a vida, e cada tostão merece ser bem aproveitado conhecendo
outras paragens. Restaurante, com comida de verdade, acho que
vou deixar pra volta.
Mas o melhor
mesmo vai ser a final do aberto da França, se o Guga chegar lá.
Fiquem atentos que alguma câmera de TV pode me focar, vou estar
ali do lado de fora do estádio com o ouvido colado num radinho
– os ingressos parece que giram em torno dos quinhentos dólares.
Se o mané vencer, peço pro Extra Classe um caderno especial na
próxima edição: “Tudo sobre Roland Garros e os sanduíches parisienses”.
“Guga na intimidade dos boulevards”. “O caso com Gisele Bundchen,
mito ou verdade?” Te cuida, Paulo Henrique Amorim. Sou capaz de
nem voltar, se a Globo insistir muito. Mas por enquanto é só um
até logo. Ou melhor, um “ó revuá”.
|