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As
pioneiras do Sul
Barbosa
Lessa
Voltemos
ao período em que ainda não havia o Rio Grande do
Sul e a extremidade meridional do Brasil-Colônia mal chegava
à enseada catarinense de Laguna. Foi quando dali saíram
as irmãs paulistas Lucrécia e Beatriz, incentivando
os maridos Jerônimo dOrnellas e Dionísio Rodrigues
Mendes para que tentassem puxar a fronteira lusitana até
as margens do Guaíba. E assim se levantou, em território
também pretendido pelos espanhóis, o Porto do DOrnellas
mais tarde Porto Alegre.
Lucrécia trazia consigo quatro filhas mocinhas: Fabiana,
Rita, Antônia e Maria.
Daí
a um tempo, Antônia casou com o lusitano Manuel Gonçalves
Meirelles e incentivou-o a que ocupasse terras mais para o oeste,
à margem do rio Jacuí, no rumo das prósperas
Missões então mantidas pelos jesuítas espanhóis.
O Governador-Geral das Capitanias, General Gomes Freire, prometeu
conceder-lhes uma sesmaria de terras, desde que reservassem meia
légua quadrada para erguimento de uma capela comunitária.
Assim se estabeleceu, em 1747, a Sesmaria da Piedade. Mas tudo
era difícil, dificílimo. Os índios não
aceitavam se sujeitar ao trabalho sob as ordens do homem branco.
As cabeças de gado, arrebanhadas às vacarias
missioneiras, eram por sua vez arrebanhadas pelos mestiços
gaudérios andejos sem rei nem lei. A
dona-de-casa não tinha shopping por perto e precisava desdobrar-se
desde o plantio de alimentos até o tecer de abrigos contra
a intempérie. Antônia lidava todo o santo dia e,
ao lhe nascer a primeira filha, ainda precisou achar tempo para
cuidar bem direitinho. Além do mais, ainda não conseguira
ajudantes para erguer a capela comunitária. Começava
a cair em desânimo. Mas eis que vê chegar sua irmã
Rita, com o marido Capitão Francisco Xavier de Azambuja,
e toma um alce. A longínqua barra do Rio Grande até
parece que ficou mais perto. E o redobrado esforço culmina
em 9 de janeiro de 1757 com a tão desejada instalação
da paróquia de São Bom Jesus do Triunfo.
Antônia
entrou em vibração e mandou um convite aos pais
para que abandonassem a solidão de Porto Alegre e fossem
participar do erguimento do novo povoado, na forquilha
do rio Taquari com o rio Jacuí. A matrona Lucrécia
pensa e repensa e termina dando o recado ao resto da parentalha:
é chegada a hora de SAIR de Porto Alegre!
Começa
então a epopéia de gradativa ocupação
das terras ao sul do Jacuí, com vistas à efetiva
conquista do território contíguo à barra
o Continente do Rio Grande. Mas tudo é
tão longe! Uma das netas de Lucrécia, a Faustina
Maria, pega pelo braço o marido Victoriano José
Centeno e vai se assentar na sesmaria do Butiá. E outra
das netas, a Perpétua, casada com o capitão-de-dragões
Joaquim Gonçalves da Silva, desce até o rio Camaquã
e, no despejar de suas águas na Lagoa dos Patos, implanta
a Estância do Cristal. Aqui despontará a liderança
farroupilha do bisneto Bento Gonçalves da Silva.
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