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A
cronobiologia em busca do tempo perdido
por
Jimi Joe
Muitas
das coisas supostamente inexplicáveis que você sente
no dia-a-dia, como um inconveniente ataque de preguiça
no começo da tarde, quando você deveria estar trabalhando
a pleno vapor, ou uma disposição pouco habitual
para o sexo no meio da manhã, não significam que
seu corpo seja um caso à parte. Esses comportamentos são
exatamente os comportamentos biológicos padrões
para o ser humano, independente de cor, credo político/religioso
ou região geográfica em que viva. A cronobiologia,
surgida no século XVIII, mas só incrementada no
século XX, é assunto para cientistas de todo o mundo,
incluindo, no Brasil, o Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento
e Ritmos Biológicos, da USP, e o médico francês
Yvan Touitou.
A
cronobiologia procura oferecer melhoria na qualidade de vida e
é tema de congressos internacionais nos quais são
debatidos os resultados dos mais recentes tratamentos para diferentes
perturbações dos ritmos biológicos. O avanço
dos estudos nesse sentido tem mostrado que problemas oriundos
de horários de trabalho não apropriados e situações
de stress têm sido responsáveis pela deflagração
de diversos processos de deterioração do corpo que
podem chegar a formas avançadas de câncer ou de depressão
profunda.
Touitou
utiliza a exposição à luz com pacientes portadores
de depressão sazonal. O pesquisador francês salienta
que este tipo de depressão pode ser curado pelo tratamento
que tem se mostrado eficaz em 80% dos casos. A luz é
um regulador fundamental da produção de melatonina
que atua por via retino-hipotálmica. Este hormônio
é considerado um tradutor do sinal luminoso ao organismo,
sinalizando dias curtos e dias longos, diz. Segundo ele,
a melatonina é a doadora do tempo que permite
vivermos em harmonia com o meio-ambiente.
As
pesquisas de Touitou na área da cronobiologia apontam indicações
sobre padrões comportamentais (veja quadro). O tratamento
pela luz também pode ser aplicado a pessoas não
inseridas num quadro de depressão, mas que enfrentam um
descompasso entre relógio biológico e relógio
astronômico, como viajantes que têm perturbações
pelas alterações radicais de fusos horários,
trabalhadores com desajustamento quanto ao turno de trabalho e
idosos. Touitou chama a atenção para suas pesquisas
mais recentes que comprovaram, pela utilização do
que ele chama de marcadores de ritmos, a existência
de uma desincronização muito importante em portadores
de câncer de mama, ovário e próstata. A cronobiologia
entra no tratamento desses pacientes na busca de uma harmonização
entre tempo biológico e tempo astronômico. Esse
procedimento é muito importante, pois a ausência
de concordância entre a hora da tomada de medicamentos e
a hora biológica apropriada pode ter implicação
quanto à maior ou menor eficácia do tratamento,
diz o pesquisador.
Tem
hora para tudo

Despertar
- entre 7h e 8h
A partir das 6h, o corpo produz um hormônio, o cortisol.
Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a concentração
máxima. Faixa horária ideal para acordar com facilidade.
Voltar a dormir é um erro. Por volta das 9h, o corpo começa
a produzir endorfinas, que encorajam um sono pesado.
Prazer
- entre 9h e 10h
A taxa de serotonina está em seu apogeu. O prazer experimentado
só será aumentado. Boa hora para ir ao dentista:
as endorfinas, em alta nesse horário, são anestésicos
naturais.
Trabalho
- entre 10h e 12h
O estado de vigilância atinge o seu pico e a memória
de curto prazo está mais ativa. Momento para refletir,
discutir idéias e encontrar inspiração.
Descanso
- entre 13h e 14 h
A moleza de depois do almoço não se deve só
à digestão, mas também a uma queda de adrenalina
que desacelera o ritmo cardíaco.
Movimento
- entre 15h e 16h
A forma física encontra o seu apogeu no meio da tarde,
ao mesmo tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como não
há produção de hormônios específicos
nesse horário, os cronobiologistas ainda não encontraram
uma explicação para o fato.
Rush
- entre 18h e 19h
O organismo fica mais vulnerável à poluição
e ao monóxido de carbono a partir das 18h. Convém
evitar os engarrafamentos. Nesse horário a atividade intelectual
e o estado de vigilância atingem novo pico.
Happy
hour - entre 20h e 21h
Quem costuma tomar aperitivo alcoólico antes do jantar
deve saber que é o momento em que as enzimas do fígado
estão menos ativas, o que faz com que se fique embriagado
mais rápido.
Sono
- a partir de 20h
A melatonina invade progressivamente o corpo a partir das 18h.
Mas é às 20h que aparece o primeiro momento ideal
para dormir, sucedido por outros iguais a cada duas horas.
Regeneração
- entre 21h e 1h
Esta fase do sono é muito importante. Coincide com o pico
da produção do hormônio do crescimento, indispensável
para a renovação das células e a recuperação
física. Esse hormônio permite que conhecimentos adquiridos
na véspera sejam armazenados no cérebro.
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