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Claudio
Santana e Clarisse Müller
Verbos de verdade
César
Fraga
Dividir
a autoria de obras de ficção não chega a
ser algo inédito, mas no mínimo incomum. Os estreantes
gaúchos Claudio Santana e Clarisse Müller optaram
por esta forma de escrever em Veroverbo (Editora AGE, 205 páginas,
R$ 15,00). Embora o título faça parecer que se trata
de uma obra concretista, passa longe. O livro foi selecionado
em primeiro lugar no Fumproarte e teve seu lançamento no
dia 28 de maio na Siciliano do Moinhos Shopping, em PortoAlegre.
Para os autores o livro é uma espécie de Caixa de
Pandora, uma vez aberto deixa escapar uma legião de paixões,
inquietações, ternuras, dúvidas, angústias,
indignação e até mesmo lampejos de felicidade.
Não conseguem definir o tipo de literatura que fazem, ou
talvez não o queiram. Preferem deixar para os outros esta
incumbência. Para eles trata-se de exercícios incomuns
de linguagem, fluxos de consciência, fragmentos que se aproximam
da prosa poética. Mas Charles Kiefer, que assina a orelha
do livro, define os textos de Claudio e Clarisse como contos.
Textos que apresentam equilíbrio entre forma e expressão,
circulares, concisos, porém contos. A opção
por fazerem questão de omitir a autoria específica
de um e outro texto é também forma de expressão.
Para eles a totalidade da obra supera e diminui a importância
de uma identidade particular, como uma forma de contraponto à
época de individualismo na qual vivemos.
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