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Zé Serr...oops! Homer Simpson.
Nei
Lisboa
Nirlando
Beirão, colunista da ótima Carta Capital, ao comentar
a reação desmedida que o episódio de Os Simpsons
ambientado no Rio de Janeiro provocara, saiu-se com essa maravilha:
Imagine só quando alguém vier a perceber que
Homer Simpson, doce bestalhão, é a cara de José
Serra.
Divertida e exata observação das fisionomias, a
cara de um é o focinho do outro. Mas não sei se
a comparação resiste no que tange às personalidades
do paizão careca do seriado e do candidato à presidência
da república.
Edição anterior da mesma revista exuma um episódio
da campanha de 1988, em que o então deputado federal Flavio
Bierrenbach define o ex-amigo e correligionário José
Serra como cruel, corrupto, prepotente, capaz de tudo na
sua sede de poder. Também o sociólogo Emir
Sader, ao prefaciar o livro Como vota o brasileiro,
de Jorge Almeida, não mede palavras: ...o temível
e inescrupuloso José Serra, responsável já
pelo encerramento da carreira de tantas figuras dentro do então
PMDB....
Sinceramente, muito me surpreendi com essas palavras. Sempre vi
o Serra como um burocrata insosso, de discurso lento e pouco convincente,
mas nunca com essa ferocidade que lhe atribuem. E já estava
dando a sua candidatura por moribunda, depois do escândalo
Ricardo Sérgio e das últimas pesquisas eleitorais,
certo de que seria substituído em breve por alguém
mais cabeludinho e carismático. Tipo o Tasso Jereissati,
digamos, que de quebra agregaria com mais facilidade tanto o PMDB
governista quanto o PFL arrependido.
Mas, em questão de poucos dias, o cenário á
é bem diferente. As denúncias envolvendo o ex-tesoureiro
de campanha desaparecem do noticiário sem sequer arranhar
a empáfia do candidato. As pesquisas são tidas como
prematuras e inócuas, senão comemoradas como repetição
de outras campanhas presidenciais onde Lula caiu e perdeu nos
últimos meses. O PFL já prepara a volta dos que
nunca foram, rapidamente ciente de que não existe como
partido fora do poder. E o PMDB, embora se definindo por Rita
Camata, acena com a figura de Pedro Simon, prestes a abrir mão
de seu passado guerreiro por uma vaguinha franciscana de candidato
à vice-presidência.
Pelo visto, é mesmo com Serra que eles vêm. E nessa
insistência, nessa confirmação de uma candidatura
tão questionável e aparentemente fragilizada, aí
talvez possa se avistar o rastro da truculência a que se
referem Bierrenbach e Sader. Aquilo que, na opinião pública,
ao menos por enquanto, não consegue se impor em nível
sequer razoável, nos bastidores da campanha mostra um poder
de fogo que sugere muitas cartas na manga, muita grana, muita
munição pesada e pouco respeito por evidências
e adversidades que lhe atravessem o caminho. José Serra
pode ter a cara de Homer Simpson, mas preparem-se para um coração
de Arnold Schwarzenegger, para episódios sem graça
nenhuma e para uma disputa eleitoral como nunca se viu nesse país.
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