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Creches
na mira da LDB
Elas
passam a fazer parte do ensino básico e para se adequarem
à nova LDB deverão seguir a normatização
proposta pelos Conselhos de Educação. Sem isso,
poderão sair do mercado
Da
Redação
Mais
de 500 pré-escolas e creches da rede privada do estado, que atendem
crianças de zero a seis anos no Rio Grande do Sul, podem fechar
caso não se ajustem à nova legislação federal até o final do ano.
Para que fiquem de acordo com as normas propostas pelo Conselho
Estadual de Educação, as instituições deverão respeitar uma série
de requisitos, entre eles a obrigatoriedade de que crianças de
zero a três anos, a exemplo da pré-escola, sejam atendidas por
professores com nível médio em magistério ou formação superior
com licen-ciatura plena.
A
maioria das creches utiliza apenas recreacionistas e atendentes
para esta função, geralmente sem formação profissional. “Não podemos
arcar com o ônus da contratação de professores e muito menos repassar
isto para os pais”, diz Jandira Paranhos, diretora da creche Garoto
Sapeca.
“Se
exigirem a contratação de professores formados será um suicídio
coletivo. O fechamento das portas será inevitável”., acrescenta
outra diretora, Zaira Cerezer, da creche Girafinha Travessa. Segundo
ela, a maioria das creches não têm condições financeiras para
se adaptar as exigências propostas pela Lei de Diretrizes e Bases
(LDB). As normas devem ser regulamentadas pelos estados.
Apesar
do descontentameto dos estabelecimentos de ensino, o Conselho
Estadual de Educação - que está preparando a regulamentação -
deverá aprovar as novas normas ainda no início de junho. “Já estamos
estudando essas medidas há pelo menos dois anos e todos as escolas
já deveriam estar preparadas”, adverte a presidente do Conselho,
Líbia Aquino. Segundo ela, o serviço prestado à população é desqualificado
e quem não cumprir as regras não poderá mais atuar. “É preciso
romper com o velho pensamento que o trabalho das creches é de
mera assistência social e que qualquer um pode montar uma no fundo
do quintal”, afirma .
As
novas normas atingem cerca de 4 mil escolas em todo estado, segundo
dados da Secretaria de Educação (SEC). Mais de 160 mil crianças
utilizam o serviço dessas escolas. De acordo com a presidente
do Conselho, somente a rede pública do estado e de parte dos municípios
já atuam dentro das normas propostas.
Comunitárias
podem ter tratamento diferenciado
A
vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de Porto
Alegre, Maria Otília Suzin, adverte que as creches comunitárias
devem ter um tratamento diferente. “São locais que prestam
um serviço social e ao mesmo tempo pertencem ao setor
privado. Por isso é preciso dar mais tempo para a adaptação,
até porque a rede pública não poderá absorver estas crianças
em caso de fechamento”, garante.
Ela
admite que a normatização municipal de Porto Alegre deverá
prever um prazo maior para estes locais, mas Líbia Aquino,
do Conselho Estadual de Educação, é taxativa: “Não haverá
tratamento diferenciado e nem prazos maiores. Todos terão
de se adequar dentro do que a lei prevê.” Em Alvorada,
município vizinho à capital, a creche comunitária Bela
Vista, no bairro Jardim Porto Alegre, é um caso típico
do problema. Cerca de 60 crianças da periferia são atendidas
diariamente, a maioria filhos de pais separados sob a
guarda da mãe, que trabalha ou sai para procurar emprego.
As instalações são improvisadas e estão muito distantes
das exigências da nova lei. A “tia” que cuida das crianças,
Sílvia Barbosa, 18 anos, não tem o segundo grau completo.
O local é mantido pela própria comunidade. A administração
é feita pelos aposentados Irineu e Francisca Silveira,
que recolhem contribuições dos moradores e usuários do
estabelecimento. A média é de R$ 30 por mês. Os profissionais
que atuam na creche parecem estar alheias às novas regras,
mas quando informadas dos prazos e do que será exigido,
demonstram um certo otimismo. “Se for lei a gente cumpre.
Todo mundo ajudando um pouquinho a gente chega lá”, lembra
Francisca.
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