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A Ford queria a fábrica de graça

EC - A perda da Ford não traz sérias conseqüências econômicas e políticas à essa população?

ZM - Bem, nós não dispúnhamos de R$ 440 milhões para repassar à empresa. Esse é um dado. E, por outro lado, há coisas importantes que precisam ser trabalhadas nessa dimensão econômica. Na região metropolitana de Curitiba, por exemplo, onde há três montadoras instaladas e funcionando, o desemprego é de 19% (maior que em Porto Alegre). Essa idéia mágica de que a instalação das montadoras por si só resolve o problema do desemprego não é verdadeira. Os empregos diretos são poucos e, além disso, a taxa de nacionalização não é tão alta assim. Boa parte dos componentes será importada de outros estados ou de outros países. Na Navistar (montadora de caminhões que está se instalando em Caxias do Sul) a taxa de nacionalização é de apenas 40%. Ou seja, mais da metade dos componentes virá de fora do país.

EC - E em termos de arrecadação de impostos?

ZM - A Ford só pagaria ICMS integralmente ao Rio Grande do Sul em 20380.

EC - Qual a receita do senhor para desenvolver o estado?

ZM - Reforçar a matriz econômica existente aqui.

EC - Isso é suficiente para um estado com as pretensões do Rio Grande?

ZM - Os setores tradicionais da nossa economia - agropecuária, calçados, plásticos etc - têm um potencial de geração de emprego e renda muito significativo. Mas é óbvio que o estado deve também dar um salto para a frente, o que significa atrair setores que sejam estratégicos no século 21 e não que foram estratégicos neste século. A indústria automobilística jogou um papel muito importante na primeira metade do século 20 e manteve esse papel até o final. Mas não se compara mais à biotecnologia ou à informática.

EC - Na sua opinião, como estará o estado economicamente daqui a quatro anos?

ZM - Estamos construindo uma nova estratégia de desenvolvimento, em que o governo tem papel importante como indutor do investimento. O primeiro momento é de dificuldade, porque precisamos reestruturar o estado, sanear as finanças. Mas temos convicção de que teremos no Rio Grande um ambiente propício à atividade econômica, à geração de emprego e à distribuição de renda. Portanto, teremos um estado, do ponto de vista econômico, mais saudável.

EC - O senhor vai incentivar o plantio de batata e cenoura nos 932 hectares reservados à Ford?

ZM (rindo) - Vamos estudar o aproveitamento da área e as suas possibilidades econômicas, entre as quais não está o plantio de batata e cenoura.

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