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Eu,
eu, eu ... não!
Durante a
audiência pública do secretário de Comunicação do governo Guaracy
Cunha, os deputados da oposição passaram mais de uma hora decidindo
a escolha de um relator para acompanhar o depoimento do jornalista,
acusado de beneficiar uma empresa da qual foi sócio com contratos
suspeitos junto ao Palácio Piratini. O presidente da Comissão
de Serviços Públicos, Jair Foscarini (PMDB), primeiro indicou
seu colega Luis Augusto Lara (PTB) para relatar a conversa. Não
foi atendido. Depois pediu ajuda ao enfático João Osório (PMDB)
- justamente quem mais insistiu na escolha mesmo sabendo que ela
não era prevista pelo regimento interno da casa. Não foi atendido.
Chegou a vez então de Berfran Rosado, que mais uma vez deixou
Foscarini na mão. Sem relator para relatar apenas um depoimento
espontâneo, os parlamentares da oposição tiveram de ouvir Guaracy
Cunha dizer que o contrato com a empresa da qual foi sócio - a
Cooedição - foi selecionada regularmente por licitação e que proporciona
economia mensal de R$ 22 mil ao estado. A Prisma Produções, contratada
no governo passado, cobrava pelo serviço de clipping eletrônico
R$ 50 mil por mês.
Nada de
novo no front
Como
se não bastassem os índices recordes de março, o desemprego em
abril subiu mais pouquinho na grande Porto Alegre. Passou de 318
mil para 324 mil pessoas na região, o que significa a marca -
absurda - de 19,2% da poppulação economicamente ativa. Os dados
são da Pesquisa de Emprego e Desemprego feita pelo Dieese/FEE.
Diferentemente de março, em abril a oferta de vagas cresceu. Principalmente
no setor de manufaturados. Mas cresceu também, e em maior proporção,
a procura por emprego. Resultado: apesar de um crescimento de
2,4% de oferta de vagas na indústria e dos 5 mil novos postos
abertos no estado, não há boa notícia boa vinda do front do trabalho.
Novidades
no front
Novidade
no front Pode não ser grande coisa, mas o governo anunciará nos
próximos dias a contratação emergencial de 2.900 professores para
a rede estadual de ensino. Em tempo: não é concurso, é contratação
temporária. Além de resolver a falta de professores em algumas
cidades, pode ajudar a diminuir o drama de mais de 300 mil famílias
no estado. Os contratos devem ir até o final do ano e , depois,
pode-se até pensar - aí sim - em concurso para preenchimento definitivo
de vagas.
Números,
números
Não
foi de R$ 110 milhões, mas de R$ 98 milhões a diferença entre
o contrato original e a proposta final apresentada pelo governo
estadual à Ford. Dos R$ 444 milhões que deveriam ser repassados
como empréstimo de capital de giro, o estado se comprometia a
manter R$ 346 milhões. A diferença, portanto, era de 22% da parcela
reservada ao Tesouro e de menos de 10% do investimento total previsto
no projeto Amazon. Em comparação com o lucro da companhia americana,
a segunda maior empresa mundial (só perde para a GM, que se instalou
em Gravataí), a estatística é ainda menor: menos de 0,1% do estonteante
lucro de US$ 6,7 bilhões de 1998.
Os
fatos...
Continua
a novela dos diários estaduais - o da Assembléia e o Oficial.
O deputado peemdebista Mário Bernd quer suspender judicialmente
a publicação do Diário Oficial do estado - que noticia os atos
do governo - por entender que ele vincula propaganda partidária.
Desde o final de abril, o jornal publica uma sobrecapa de quatro
páginas com informações sobre secretarias e empresas públicas
que são, como se sabe desde outubro, administradas pelo PT. Tudo
bem.
...E as fotos
Só
que o parlamentar esqueceu-se de mencionar o outro Diário, o da
Assembléia, cujo presidente vem a ser seu colega de bancada Paulo
Odone. Na edição número 7.391, por exemplo, estavam lá estampadas
sete fotos do ilustre deputado. Toda essa abundância num espaço
inferior a três páginas da edição do dia 7 de maio passado. Caso
de Justiça? Com a palavra, o deputado Paulo Pimenta (PT).
EC:
Qual é a saída?
Pimenta: A regulamentação do que pode e não pode ser publicado.
EC: O Diário da Assembléia é isento?
Pimenta: Quando me deparei com a íntegra da carta da direção da
Ford anunciando o afastamento da empresa do Rio Grande do Sul,
não acreditei que se tratava do Diário do poder legislativo.
EC: O que diz a Constituição estadual sobre isso?
Pimenta: É clara: estabelecer a luta política por meio
de veículos oficiais é inconstitucional.
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