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Que
fim levou a fogueira?
Foi
engolida pelo progresso. Com o crescimento das codades , as comemorações
de São João migraram para as escolas ou parques
públicos. No interior, as festas de rua continuam mobilizando
as comunidades que prservam danças, costumes e comidas
milenares da tradiçào cristã
Uma
tradição que nasceu antes de Cristo. Queimar fogueiras, naquela
época, significava saudar a chegada do verão e apenas no século
VI o catolicismo associou as comemorações pagãs ao aniversário
de São João. Os portugueses, no século XIII, incluíram São Pedro
e Santo Antônio e, no Brasil, a data é celebrada desde 1583. De
lá para cá, porém, as fogueiras juninas rarearam tanto que é preciso
descobrir onde elas vão queimar nas noites frias de 24 de junho.
Cada
estado brasileiro brinda o nascimento do santo católico a seu
modo. “Existe uma grande confusão com o culto ao caipira”, revela
o diretor-técnico do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore,
João Alberto Menine. No Rio Grande do Sul as festas geralmente
preservam os trajes típicos do estado, em oposição ao tradicional
chapéu de palha e roupa remendada do folclore paulista. No nordeste,
a música é o forró.
As
grandes cidades acabaram engolindo os festejos de São João, que
cada vez mais ocorrem em recintos fechados. “Não dá para fazer
a festa na rua por falta de segurança e problemas com o trânsito”,
diz Cristina Moll, coordenadora de Eventos do Colégio Farroupilha,
na capital. O colégio tem uma das mais animadas festas de Porto
Alegre, que este ano será de 21 a 26 de junho.
“A
cidade grande retira um pouco da referência de comunidade. Isto
vale para qualquer festa popular aberta. Hoje elas estão cada
vez mais esvaziadas”, acrescenta Menine. A realidade no interior,
porém, é outra. Em municípios como Rio Pardo, Capivari, Taquari
e Santo Antônio da Patrulha, a receptividade é mais forte e mantém
viva a tradição. Uma das mais fortes é andar - descalço - sobre
as brasas da fogueira.
Apresentação
de coral, dança e grupos de teatro, pescaria, simpatias para arrumar
namorado, fogueira, pipoca, pinhão e quentão são atrações garantidas
na festa organizada pelo Museu do Carvão, em Arroio dos Ratos.
A diretora Sandra Foques estima atrair cerca de mil pessoas para
a festa no dia 11 de junho. “Teremos também bailão popular e contratamos
uma rádio para apresentar os artistas. Aqui na região, a comunidade
participa bastante”, conta entusiasmada.
Em
Porto Alegre, a festa junina do Parque Harmonia (26 e 27 de junho)
retorna após dois anos de ausência. Agora ela vai para o calendário
oficial de Porto Alegre. No Colégio Bom Conselho a cada ano tem
festa junina. A quermesse do dia 19, segundo a coordenadora dos
eventos, Ana Vasconez, terá pescaria, cadeia, sorteios, argola,
telegrama, rádio para dedicatórias, cama elástica e piscina de
bolinhas. “Nossa festa não tem cunho folclórico. É beneficente.
A verba arrecadada é direcionada a asilos e creches carentes”,
explica.
Desde
os rituais pagãos de outrora até os cultos religiosos da atualidade,
a ordem é brindar com fogueira, dança, música e comida. Para os
povos antigos, o solstício do verão (no hemisfério norte) sinalizava
o início da colheita. O fogo, então, representava proteção contra
os demônios da peste, da falta de chuvas e da aridez da terra.
A quadrilha, por sua vez, veio para o Brasil com família real
portuguesa e trouxe junto a contradança - originária dos camponeses
da Normandia francesa e da Inglaterra - que animava os bailes
da realeza.
No
Rio Grande do Sul o ritmo é o vanerão, que faz sacolejar bombachas
e os vestidos rodados das prendas. No sudeste e centro-oeste os
sertanejos têm a sua vez mas, no nordeste, impera o forró com
o baião e o xaxado. Características regionais à parte, a ordem
é se divertir. No Parque da Harmonia, por exemplo, serão acesas
três fogueiras, uma para cada santo. Não vai faltar também o pau-de-sebo,
um tronco de árvore com quatro metros de altura untado com sebo
animal. O desafio é atingir o topo e conquistar as prendas lá
depositadas. A dança da batata é outra brincadeira. Nesta, os
casais dançam com uma batata entre suas testas e ganha quem tiver
mais destreza em não derrubá-la. Há ainda a corrida do saco e
a do ovo na colher, além da dança do bastão. Tudo, é claro, regado
a um bom quentão para espantar o frio.
Cada
Santo tem a sua história
São
João Batista
São
João Batista nasceu em 24 de junho. Diz a história bíblica
que, na antiga Judéia, as primas Isabel e Maria, mãe de
Jesus, estavam grávidas. Como moravam distantes, elas
combinaram que a primeira a ganhar o bebê anunciaria a
novidade acendendo uma fogueira em frente à própria casa.
Santa Isabel cumpriu a promessa quando do nascimento de
seu filho, João Batista. Até hoje as fogueiras são acesas
na tarde do dia 24 de junho, acompanhadas de foguetórios,
jogos, prendas e bailes. É a fogueira mais tradicional.
Tem a base redonda como se fosse uma pirâmide.
São
Pedro
Foi
o primeiro papa da igreja católica, também conhecido como
o guardião das chaves do céu e o responsável pela chuva.
Segundo a tradição, São Pedro era um homem simples, de
boa fé e impulsivo. É protetor dos pescadores e das viúvas.
Foi o primeiro dos Apóstolos, sendo crucificado sete anos
depois de Cristo, em 29 de junho (data em que se acende
a sua fogueira). Acredita-se que seu corpo está enterrado
onde foi edificada a basílica do Vaticano, em Roma. A
fogueira tem um formato triangular
Santo
Antônio
É
o santo casamenteiro por excelência. Nasceu em Lisboa,
em 1195, e morreu aos 36 anos, no dia 13 de junho, em
Pádua, Itália. Considerado o santo de maior apelo popular,
pois é invocado durante todo o ano, auxilia também para
achar objetos perdidos. Ansiosas por um casamento, algumas
moças solteiras viram a imagem de Santo Antônio contra
a parede, o afogam em poços ou o enforcam até que surja
um candidato. Sua fogueira tem formato quadrado.
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