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Cursos
reprovados pelo MEC reagem à ofensiva do governo
As faculdades
ameaçadas de fechar dizem que a avaliação
do ministério foi precipitada e injusta. Escolas federais
- justamente as que deveriam recber verbas públicas para
melhorar seu desempenho - são as mais visadas. Diretores
alegam que Lei de Diretrizes e Bases determina prazo até
2004 para as unidades de ensino se adaptarem às exigências
Da Redação
O meio acadêmico
anda revoltado com o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.
Em 12 de maio, ele anunciou o processo de reavaliação da qualidade
- com a possibilidade de cassação das licenças - de 101 cursos
de graduação em Administração, Direito e Engenharia Civil de universidades
de todo o país, mas as escolas alegam ter prazo até 2004 para
se adaptar às novas regras da Lei de Diretrizes e Bases (LDB).
Uma delas é a exigência de que pelo menos 30% do corpo docente
das faculdades seja constituído por mestres e doutores.
“O ministro
foi precipitado. Nossos alunos obtiveram conceito B nos três provões
e, se o desempenho é bom, isto é fruto do trabalho desenvolvido
aqui”, questiona o coordenador do Curso de Direito da Universidade
de Passo Fundo, Jorge Buaes. No Rio Grande do Sul, as Faculdades
de Direito das universidade de Santa Maria, Cruz Alta e Passo
Fundo estão ameaçadas de fechar devido à reavaliação do MEC. Baues
diz que entre 15% e 20% dos professores da faculdade têm título
de mestres ou doutores. “E muitos deles estão cursando pós-graduação”,
revela.
Buaes discorda
da Comissão de Especialistas do Ensino do Direito que avaliou
como insuficiente a organização didática e pedagógica e a titulação
dos professores. “A comissão ficou um dia e meio em Passo Fundo.
Foi tudo muito corrido. Acho que nem nos ouviram direito”, relata.
Hoje a faculdade conta com 42 professores para atender 796 alunos.
Destes, há 28 especialistas, 2 doutores e 3 mestres. “Titulação
de professor não pode ser confundida com eficiência”, argumenta.
A Comissão
retornou à faculdade em 20 de maio. Mas não tem data para remeter
a avaliação. Dependendo do resultado, o tema será debatido na
Câmara Federal. “Como estamos num estado democrático, podemos
ingressar com recurso se for o caso. Mas não acredito que se chegue
a tanto”, adianta Buaes. Ele não vê problema dos cursos serem
avaliados e seus resultados divulgados. “O surpreendente é o fato
de que, em geral, as universidades federais são as mais atingidas
pela determinação do Ministro, justamente as instituições que
dependem de verbas do governo federal”, estranha. Em Santa Maria,
a indignação não é menor. “A universidade é uma das dez melhores
instituições de ensino superior do país. Nas três oportunidades
em que os alunos do curso de direito submeteram-se ao provão,
obtiveram o conceito A”, desabafa o professor Ricardo Seitenfus,
doutor em relações internacionais pela Universidade de Genebra
e professor em Santa Maria.
Na inspeção
efetuada junto a UFSM, a Comissão do MEC atribuiu aos quesitos
corpo docente, organização didático-pedagógica e infra-estrutura
os conceitos bom e insuficientes, respectivamente. A universidade
reúne 32,26% de professores pós-graduados e 54,84% cursando pós-graduação.
“É inaceitável que as universidades públicas sejam submetidas
aos mesmos critérios de avaliação da infra-estrutura das particulares”,
critica Deisy Ventura, doutoranda em Direito Europeu pela Universidade
de Paris 1 e professora da UFSM.
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