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Educadores
discutem um novo milênio
O
IV Fórum Estadual de Educação e o I Simpósio Nacional de Educação,
realizado de 20 a 22 de maio, em Lajeado, mostrou que os professores
realmente acreditam que a educação é o caminho para a cidadania.
Foram 1.101 participantes, oriundos de 21 municípios gaúchos,
interessados no tema do evento: O Renascer da humanidade no despertar
do novo milênio - Educar é humanizar. E isso não passou despercebido.
Autoridades presentes na noite de abertura manifestaram seu entusiasmo
frente a tamanha disposição, comentando, inclusive, o movimento
que a categoria vem fazendo nesse sentido. Os educadores estavam
lá, munidos de muitas cuias de chimarrão e sortidos pacotes de
balas e guloseimas. Interessante isso. Era mais que um investimento
profissional. Era prazer.
O
palestrante da noite foi economista. Não dá pra negar que antes
dele começar a falar havia uma certa apreensão no ar. É consensual
achar difícil entender o que eles dizem. Mas foi uma surpresa.
O carioca César Benjamin não precisa de legendas. Ele é claro,
crítico, analítico, compreensivo e otimista. Está certo que ele
arrisca prever que o índice de desemprego deste ano vai a 25%,
mas mesmo assim é otimista.
EC
- O senhor disse que existe uma diferença entre uma crise econômica
e uma crise de destino, que é a que o Brasil está vivendo. Por
quê?
Benjamin
- A crise econômica é a expressão imediata, mais visível e
superficial, de uma crise mais profunda. É natural que as economias,
no seu processo de desenvolvimento, vivam momentos de expansão
e de contração. Mas agora trata-se de escolher entre trajetórias
diferentes. Ou seja, destino.
EC
- Já vivemos algum momento desses?
Benjamin
- O último mais importante que vivemos foi em 1930, quando
tínhamos uma economia de base agrário-exportadora que teve de
optar entre dois caminhos completamente diferentes. Se o Brasil
reafirmasse sua condição agrário-exportadora de 1930, hoje ele
seria diferente do que é.
EC
- Por quê?
Benjamin
- Podemos dizer que a crise de 30 definiu a trajetória do
século. A minha hipótese é que a crise atual definirá a trajetória
do século 21: a de que o Brasil reconstrua no seu interior forças
sociais e políticas que retomem um sentido de construção nacional.
Se isso for feito, marca o próximo século.
EC
- Pode transformar a crise em construção?
Benjamin
- Exatamente, por que nós somo uma nação em construção. Não
uma nação acabada. E essa construção foi interrompida na década
de 90. Eu diria que o mais importante elemento de finalização
da construção é a criação de um povo de cidadãos.
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