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Indecisão
crônica
No fica-não
fica do ministro Rafael Greca, que se arrastou por meses a fio,
mais uma mostra da indecisão crônica do presidente FHC. Perguntado
sobre os motivos da demissão, disse que apenas havia aceitado
o pedido feito pelo ministro. Perguntado ainda sobre o fiasco
das comemorações, Fernando Henrique disse que os fatos não foram
decisivos na fritura de Greca. Resta perguntar por que, então,
Greca deixou o posto. A pasta, aliás, é só problema. No primeiro
mandato de FHC, foi ocupada por Pelé até abril de 1998. Desde
então, ficou vaga à espera da extinção.
Programa de
auditório
Depois de
um 1o de Maio romântico e polpudo, em que foram sorteados cinco
apartamentos mobiliados e dez automóveis, a Força Sindical decidiu
promover um acampamento com aposentados no próximo dia 10, em
Brasília, para pressionar o Congresso a aumentar o valor do salário
mínimo. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Paulo
Pereira da Silva. A Força reuniu cerca de 600 mil pessoas em São
Paulo num ato muito mais show que ato que custou R$ 1 milhão.
Quick-drop
Levantamento
do IBGE apontou que um rico ganha o equivalente a 50 pobres no
Brasil. Os 1% mais ricos detêm 13,8% da renda do país, enquanto
os 50% mais pobres abocanham 13,5%.
Um final mais
que constrangedor
Demorou, mas
o ministro do Esporte e Turismo Rafael Greca foi despachado de
seu cargo – para alegria de Rita Lee – tão logo encerraram as
atividades de comemoração dos 500 anos do Brasil. O fiasco foi
total, o que mostra mais uma bola fora do governo ao manter Greca
no cargo até passarem as festividades: o que era para ser uma
saída honrosa passou a ser uma inevitabilidade constrangedora.
O ministro
pouco perdeu com sua manutenção, pois já vem sendo investigado
há meses pelo Ministério Público – por conta do seu envolvimento
nas irregularidades detectadas no funcionamento dos bingos. O
curioso é que o ministro atribuiu sua queda a uma campanha promovida
justamente pelo jogo organizado.
Difícil de
entender, pois foi com sua gestão e de seus amigos à frente do
Indesp (especialmente o ex-diretor de Finanças do órgão, Luiz
Antônio Buffara) que os bingos se transformaram em verdadeiros
cassinos. Passaram a operar com máquinas caça-níqueis, burlaram
constantemente a legislação em vigor, especialmente no que tange
ao envolvimento com entidades esportivas, e chegaram a criar uma
portaria específica para funcionar sem controle ou fiscalização.
O esquema
foi desbaratado pelo Ministério Público, que denunciou o ministro
e outros 14 assessores ou indicados por Greca. Antes disso, ele
já vinha sendo alvo de investigação no Paraná devido à participação
de sua mulher na administração dos Faróis do Saber.
O fato mais
constrangedor porém – porque ridículo – foi a construção da réplica
da nau capitânea de Cabral. Orçada em R$ 3,8 milhões, ela não
navegou devido aos problemas de engenharia naval que apresentou.
Mesmo com dois motores a ajudá-la, não conseguiu chegar de Salvador
a Porto Seguro (cerca de 200 milhas por mar) para participar das
comemorações.
Foi dinheiro
público jogado ao mar, assim com parecem ser os R$ 120 milhões
destinados à construção de quadras esportivas em 1.088 municípios
carentes do país. Cada quadra custa a bagatela de R$ 110 mil,
mesmo que não tenham arquibancadas nem infra-estrutura de treinamento.
São apenas dois banheiros e cobertura metálica em forma de arco.
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