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Esse povo
não se contenta nem com cachaça
Nei
Lisboa
Inspirado
na série “Itens enviados” do jornal NÃO, em que o Giba Assis Brasil
revela parte da sua intensa correspondência via e-mail, resolvi
seguir o exemplo e publicar parte da minha, que, como podem ver,
é muito bem freqüentada – ou muito mal, do ponto de vista daqueles
baderneiros revanchistas que andaram estragando a festa dos quinhentos
anos.
Para: greca@capitania.gov
“Lamento muito
tudo o que aconteceu. E compreendo o quanto é difícil um navio
navegar, ainda mais com verba tão escassa. Parece oportuna a sua
idéia de abrir um bingo temático flutuante ao largo da costa da
Bahia.”
Para: fh@cardoso.gov
“Não
fique assim. Como você mesmo disse, ninguém morreu ou sequer ficou
inválido. Não deixe um traumazinho desses desviar seu pensamento
do rumo claro que sempre teve. Pense que você não fez o que tinha
de ser não feito, quero dizer, o importante é que o melhor para
o Brasil é ter um pé na cozinha. Mais ou menos isso. E pega leve
no Beaujolais.”
Para: alberto@cardoso.gov
“É claro,
general, se vocês soubessem que repercurtiria mal de qualquer
jeito… Mas acho que uma vítima ou duas só faria piorar as coisas,
com tanta cobertura internacional. Escreva para esse seu amigo
chileno, quem sabe ele sugere algo discreto para o próximo dia
do índio.”
Para: ruth@cardoso.engov
“Segue anexo
a receita da vó Amália, mas não garanto que funcione quando a
depressão é aguda. E a vovó era índia. Numa hora dessas... Não
seria melhor ele tentar outra temporada em Paris?”
Para: toninho@cm
“Também achei
tudo normal e democrático, esse povo é que não se contenta nem
com cachaça nem com Sangalo. Depois, quando a gente distribui
porrada no prostíbulo, dizem que faltou educação.”
Para: roberto@globo.com
“Não fui
à festa daqui e então não posso garantir. Mas bem pode ter sido
uma gaita desafinada que fez com que incendiassem o relógio. O
pessoal aqui do sul (como na África do Sul, lembra?) se irrita
por qualquer coisinha.”
Para: fh@cardoso.gov
“Bom saber
que a receita funcionou e você está melhor. É hora de dar aquelas
entrevistas sobre crescimento, inflação baixa, essas coisas. Talvez
sugerindo que, com as notas de plástico, os salários vão durar
mais. Como o povo esquece tudo muito rápido, até a próxima eleição
todos os estragos podem ser compensados. E – veja só do que você
vai se livrar – quando comemorarem os seiscentos anos, você e
o ACM não vão mais estar no poder. Ou vão?”
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