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Passe bem.
E obrigado
Luis
Fernando Verissimo
Sou contra
a pena de morte por princípio, mas admito exceções. Pessoas que
contam anedotas como se fossem histórias verdadeiras que aconteceram
com
elas e só no fim você descobre que é anedota merecem a guilhotina.
Telefonistas que perguntam “Da onde?”: forca. Donos de telefones
celulares que não têm nada para dizer mas fazem questão de usá-los
em público só para mostrar que têm telefones celulares, e transformam
você em confidente involuntário até de detalhes do seu furúnculo:
garrote vil. E desmembramento. Mas pensemos nas coisas boas da
vida, no amor, nas flores, nos pássaros... Se bem que nunca entendi
bem por que os pássaros são considerados símbolos de despreocupação,
liberdade e alegria de viver. Não conheço um passarinho que não
seja nervoso, que não viva com ar de pânico permanente. Aquele
ar de quem está sempre esperando o pior, é ou não é?
Ainda estou
para ver um passarinho saboreando o que come, ou espichado em
algum galho, barriga para cima, pegando um sozinho. Passarinho
está sempre ocupado, sempre preocupado, e sempre de passagem para
outro lugar. Deve ser o bicho mais estressado que existe. Nada
compensa essa agitação permanente, nem a capacidade de voar, que
lhe deve trazer outras angústias. Condições meteorológicas, planos
de navegação etc. Aposto que qualquer passarinho trocaria suas
asas por uma vida pachorrenta de leão, ou até de minhoca. Tudo
só para poder relaxar um pouco. E já que estou meio amargo mesmo,
um pensamento final. Nosso dilema continua sendo que nós nos livramos
da morte livrando-nos do corpo e só nos livramos do corpo morrendo.
Era o que eu queria dizer por agora, obrigado. E passe bem.
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