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Fotos: René Cabrales
Medida
representa riscos à soberania
E
o Brasil, que tem uma posição privilegiada no mundo,
corre igualmente riscos sérios, pois o que está
em jogo é a própria soberania. A ameaça de
privatização dos recursos hídricos em solo
brasileiro abre uma outra pauta em andamento, mas que pouca gente
sabe. Estamos diante da internacionalização,
da desnacionalização dos recursos naturais. A Amazônia,
tão estratégica por sua biodiversidade, representa
80% das reservas de água do Brasil e o desmonte do saneamento,
neste caso, visa a uma desapropriação indevida e
cada vez mais crescente desses recursos, diz o diretor do
DMAE.
A
situação torna-se mais preocupante quando se tem
notícia de que a água, dentro de três décadas,
terá um valor muito superior ao hoje tão cobiçado
petróleo. A cada 20 anos, esse recurso dobra em consumo.
Já existem regiões onde eles estão esgotados
ou em processo de esgotamento, como São Paulo e Recife.
Se a água passar a ter donos, qual vai ser o futuro dos
povos? O que estamos disputando são os rumos da globalização,
não podemos deixar que o governo federal abra mão
da soberania das águas, destaca Todeschini.
A
água tem subido linearmente de preço em função
da escassez. Atualmente, em todo o mundo, 90 milhões de
pessoas vivem no estresse hídrico, ou seja, não
têm água suficiente para suas necessidades básicas
de sobrevivência. A previsão é de que até
2025 esse mal atinja três bilhões de pessoas. O Brasil
possui 53% da reserva de água da América do Sul
e 12% do total mundial. Diante dessa estatística, não
é difícil entender porque empresas privadas, especialmente
as estrangeiras, querem colocar a mão nesse filão.
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