|

Companhias
privadas são questionadas
Mesmo
recém chegadas no mercado, as empresas privadas já
enfrentam contestações. A própria cidade
de Limeira teve sua tarifa de água aumentada em 63% no
mês de fevereiro, o primeiro reajuste em cinco anos. Isto
por conta de um acordo fechado entre a prefeitura e o consórcio
de empresas privadas, no qual a francesa faz parte.
Não bastasse isso, tramita na justiça uma ação
civil pública, apresentada pelo promotor de justiça
de Proteção aos Direitos Constitucionais do Cidadão,
Luiz Gonzaga da Silva Marcondes, em que pede a anulação
da concorrência pública ocorrida em 1994 que transferiu
o serviço de água para a iniciativa privada. A ação
aponta irregularidades no edital de concorrência e no contrato
firmado. Em primeira instância, o juiz da 3ª Vara de
Limeira, Carlos Vieira Von Adamek, julgou nulos a concorrência
e o contrato de concessão. As partes envolvidas recorreram
e a ação agora tramita no Tribunal de Justiça.
Num mundo cada vez mais poluído, onde a água está
cada vez mais contaminada, é certo que ela se torne um
bem caro e escasso. Talvez seja o principal commoditie desse século,
valendo mais que ouro, inclusive. Exagero? Não, se pensarmos
que a Organização Mundial da Saúde catalogou
mais de 80 doenças ligadas à falta de redes de esgoto,
água de má qualidade e acúmulo de lixo. As
doenças causadas pela falta de saneamento básico
são responsáveis por 65% das internações
da rede pública hospitalar.
É preciso entender que, se quisermos universalizar
o saneamento, precisamos compreendê-lo como uma ação
básica de saúde, de qualidade de vida em nossas
cidades, ensina Dieter Wartchow. Ele diz que, por enquanto,
a única certeza é que a água tratada
é como saúde ou liberdade, só tem valor quando
acaba.
Desde que os serviços essenciais foram privatizados, as
tarifas subiram, conforme aponta pesquisa da Fundação
Getúlio Vargas sobre aumento de tarifas entre 1994 e 2000.
Eis os índices: telefone, 407%; gás de cozinha,
269%, água e esgoto, 136%. Os maiores índices de
reclamações nos órgãos de defesa do
consumidor referem-se à prestação dos serviços
privados. Diante desses dados, Wartchow revela mais um. A
Corsan pagou, entre 1999/2000, R$ 302 milhões de dívidas
oriundas de gestores hoje comprometidos com as teses privativistas
do saneamento.
O diretor da Corsan prega que, para universalizar, é
preciso compreender que investir na gestão pública
e eficaz do saneamento ambiental, é socialmente indispensável,
ambientalmente necessário, economicamente rentável
e politicamente correto. Ele não abre mão
de que o Estado (poder público) organize e preste os serviços
de saneamento ambiental com qualidade. Com investimentos
de US$ 1,00 por habitante/ano durante 10 anos, a população
do mundo seria atendida com água e soluções
para o esgotamento sanitário, anuncia.
|