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A lavagem
das mãos
A que ponto
chegamos em termos de ética no Brasil: basta uma confissão
chorosa, de preferência em público, para que se releve
tudo de errado que o réu confesso fez. Mais que isso, as
soluções para os problemas de interesse público
no Brasil encontram desfechos inusitados através de passes
de mágica como no caso das roubalheiras da Sudam e da Sudene.
Após décadas de falcatruas, o próprio Congresso
Nacional, através de uma subcomissão da Câmara
dos Deputados, sugere que tanto Sudam quanto Sudene sejam simplesmente
extintas. A emblemática lavagem das mãos de Pôncio
Pilatos assume assim proporções avassaladoras. Mais
uma notícia do Planalto, que só faz crescer essa
sensação de desconforto em relação
às nossas mais altas casas parlamentares, dá conta
de que projetos do senador Luiz Estevão, que foi cassado
e chegou a ser preso pela Polícia Federal, continuam circulando
e sendo discutidos no Congresso Nacional. Na edição
de abril, o Extra Classe revelou boa parte das manobras muitas
vezes distantes de qualquer princípio ético obradas
pelo coronel baiano e dublê de senador Antonio
Carlos Magalhães. O episódio do painel eletrônico
do Senado só vem confirmar o que dizia a reportagem. É
lógico que dizer simplesmente que, por esses acontecimentos,
o Congresso tenha se tornado uma instituição desacreditada
é dar razão aos argumentos absurdos de quem não
quer a normalidade democrática. Mas também é
impensável que se aceite a hipótese esfarrapada
de que roupa suja se lava em casa e com isso o Congresso dê
um jeitinho nos problemas, varrendo toda essa monumental
sujeira para baixo de seu próprio tapete.
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