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Sabato:
antes do fim
César
Fraga
| Daniel
Mordinski |
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O
escritor argentino dedica suas obras mais recentes
aos jovens
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Falar
do escritor argentino Ernesto Sabato, 91 anos, é sempre
uma tarefa difícil. Pode-se ficar no óbvio e
dizer que é o mais importante romancista vivo da América
Latina. E é. Mas o principal não é o
legado de sua obra, por mais fundamental que ela seja. Os
romances O Túnel e Sobre Heróis e
Tumbas (ambos relançados recentemente pela Cia.
das Letras) certamente fazem parte das grandes obras literárias
da humanidade. Em O Túnel, sua estréia
em 1948, mostra a trajetória de um pintor que enlouquecia
por não conseguir comunicar-se com ninguém. |
Na verdade,
os personagens de carne e osso que, por meio de suas paixões
mais triviais, metaforizavam as angústias metafísicas
do autor, ou da humanidade sob a ótica do autor. Sobre
Heróis e Tumbas, lançado originalmente em 1961
e traduzido em vinte idiomas, Sabato cruza três linhas narrativas:
a paixão febril de Martín por Alejandra, o surgimento
traumático de uma nação e a história
da Seita Sagrada dos Cegos, casta maléfica de poderes esotéricos
e milhões de súditos no mundo. Porém, mais
recentes, fora do universo da ficção estão
dois livros que Sabato afirma ter escrito para a juventude. La
Resistencia (lançado na internet em 2000) e Antes do
Fim, suas memórias, lançado no mesmo período,
inclusive no Brasil, também pela Cia. das Letras. As
ficções permitem ao escritor grandes aventuras.
As memórias em geral são um pouco falsas. Ninguém
trata mal a si mesmo, afirma Sabato de sua relutância
a escrever as referidas memórias. Já na abertura
do livro ele confessa: escrevo isto, sobretudo, para os
adolescentes e jovens, mas também para aqueles que como
eu, se aproximam da morte e se perguntam para que e por que vivemos
e lutamos, sonhamos, escrevemos, pintamos, ou simplesmente empalhamos
cadeiras. Assim, entre recusas a escrever estas páginas
finais, estou fazendo isso quando meu eu mais profundo, o mais
misterioso e irracional, me inclina a fazê-lo. Mas também
de pássaros que levantam meu ânimo quando ouço
seus cantos, ao amanhecer; ou quando minha velha gata vem deitar-se
em meu colo; ou quando vejo a cor das flores, às vezes
tão minúsculas que é preciso observá-las
de muito perto.
Trata-se,
antes de mais nada, de um livro de confissões que nos fazem
entender melhor o emaranhado mundo que nos cerca.
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