
LIVROS & LEITURA
Que novidade que nada!
LUIZ CARLOS BARBOSA
Freqüentemente aparecem
argumentos equivocados nos debates sobre o escasso interesse dos jovens pela leitura.
Gente respeitada até mesmo pelo círculo acadêmico já foi capaz de atribuir o problema
às bibliotecas - escolares ou não -, que seriam desatualizadas.
Convenhamos, é só uma falácia
para explicar a minguada importância institucional que se dá à leitura e, por
conseqüência, à manutenção de bibliotecas e atividades de incentivo à leitura. Ou
será que a trajetória de Julien ("O vermelho e o negro", Stendhal) ou os
descaminhos de João Valjean ("Os miseráveis", Victor Hugo) estão
desatualizados?
O que deve ter uma boa biblioteca?
Certamente não é tudo o que o mercado editorial publica, com tantas experimentações
supostamente literárias que não têm a mínima chance de perenidade. Não é preconceito
com o novo, mas bibliotecas públicas, por exemplo, devem dar prioridade à literatura
socialmente consagrada à formação do leitor. Quer dizer: Machado de Assis, Mário de
Andrade, Émile Zola, Eça de Queirós, Dyonélio Machado, Clarice Lispector, Gustave
Flaubert, Erico Verissimo, Lygia Bojunga Nunes, Sérgio Caparelli...
Por isso mesmo merece destaque a
Coleção Pocket da L&PM, que reedita as grandes obras nacionais e universais, como
"Inocência", de Visconde de Taunay, "Contos Fluminenses", de Machado
de Assis, "Édipo Rei", de Sófocles. São apenas alguns de uma série que já
se aproxima de 200 títulos. O mesmo se pode dizer da coleção Clássicos Mercado Aberto,
que acaba de relançar nada menos do que "Viagens na minha terra" (281 pp, R$
20,00), do grande romântico português Almeida Garrett.
REVERSO DO FACISMO
Lançamento da Artes e Ofícios, "O homem sem nome"
(226 pp, R$ 13,65) é uma pretensão literária do autor, Edgar Welzel, gaúcho radicado
na Alemanha, que estréia com este romance. Mas apesar da escritura com certas imagens
óbvias - noite "com seu manto negro" - o discurso direto segura mais a leitura
do que a narrativa, expondo um tema importante para o Rio Grande.Trata-se da perseguição
aos imigrantes alemães durante a II Guerra Mundial. Através do protagonista, um humilde
e ético professor da colônia, Welzel mostra o reverso do facismo no Estado Novo. Um
assunto oportuno no momento em que o conflito étnico mais uma vez justifica a guerra nos
Bálcãs. Por falar nisso, enquanto não sai no Brasil o novo livro do estrategista de
Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski é bom reler esta lição sobre a estratégia
geopolítica norte-americana "EUA X URSS - O grande desafio"(294 pp, edição
esgotada), editado no Brasil em 1987 pela Nórdica.
A genealogia do Rio
Grande do Sul
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vinho
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